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Fair play financeiro

Como é do conhecimento geral comemora-se este ano o “Ano Nacional da Ética no Desporto – 2012”, razão pela qual deveríamos meditar naquilo que é a promoção e o reforço dos valores do Olimpismo, aprendendo os ensinamentos e os princípios fundamentais do movimento olímpico, realçando o seu contributo para a paz e a difusão dos princípios éticos que devem acompanhar a organização e a gestão do desporto. Não será sobre esta temática que hoje me vou debruçar mas num aspecto relacionado com estes valores que é o “fair play financeiro”.

Luís Covas
2 Nov 2012

O Comité Executivo da UEFA aprovou, em Setembro de 2009, um conceito de “fair play” financeiro para o bem-estar do futebol. O conceito recebeu o apoio de toda a família do futebol, sendo os seus principais objectivos:
1) introduzir mais disciplina e racionalidade nas finanças dos clubes de futebol; 2) diminuir a pressão sobre salários e verbas de transferências e limitar o efeito inflacionário; 3) encorajar os clubes a competir apenas com valores das suas receitas, provendo investimentos a longo prazo no futebol juvenil e em infra-estruturas; 4) assegurar que os clubes resolvam os seus problemas financeiros a tempo e horas.
Estes objectivos entretanto aprovados reflectem a visão que a UEFA tem e o dever de ter em consideração o ambiente sistémico do futebol europeu de clubes, nos quais os emblemas competem e, em particular, o impacto inflacionário alargado dos gastos dos clubes em salários e verbas de transferências. Em épocas recentes, muitos clubes reportaram perdas financeiras, e, em alguns casos, maiores de ano para ano. O panorama económico global criou difíceis condições de mercado para os clubes europeus e isto pode ter impacto negativo na geração de receitas e cria desafios adicionais para os clubes, no que diz respeito à disponibilidade do financiamento e para as operações do dia-a-dia. Muitos clubes sentem problemas de liquidez, levando, por exemplo, ao atraso no pagamento a outros clubes, funcionários e entidades como a Segurança Social e o Fisco.
Nesse sentido a UEFA está a introduzir medidas sensíveis e exequíveis para concretizar estes objectivos. Estes incluem uma obrigação para os clubes de, durante um determinado período de tempo, equilibrarem as suas contas. Sob este conceito, os clubes não podem repetidamente gastar mais do que as receitas que geram e os clubes estarão obrigados a respeitar atempadamente todos os compromissos relacionados com pagamentos de transferências e funcionários. Clubes de risco mais elevado que falham determinados indicadores também serão obrigados a providenciar orçamentos em que detalhem os seus planos estratégicos. As medidas de “fair play” financeiro envolvem uma avaliação multi-anual, permitindo que se forme uma perspectiva a longo prazo e no seio de um contexto mais alargado do futebol europeu de clubes.
O que acontece é que decorridos 3 anos de implementação deste sistema verifica-se que 56% dos clubes europeus dão prejuízo o que é preocupante relativamente aos hábitos despesistas desses clubes. Contudo com a UEFA não se brinca e em 2013/14 serão, pela primeira vez, levadas em conta as medidas a aplicar e nenhum clube poderá apresentar perdas acumuladas superiores a 45 milhões de euros, mas que progressivamente passará para 30 milhões a partir de 2015/16. Seria bom que no nosso país também se aplicassem estas medidas (com números mais baixos), porque a continuarmos assim qualquer dia não temos clubes em condições de competir.




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