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Braga versus crise

A SAD do SC de Braga fixou em trinta milhões de euros a cláusula de rescisão de Éder. Penso ser mais um record batido. No entanto, todos sabemos como estas cláusulas estão inflacionadas. Os clubes ditos grandes já nos mostraram como estes valores são falsos. Mesmo assim, é um indicador importante de uma grande verdade: Éder é um potencial candidato (mais um) a rechear ainda mais os cofres da SAD.

Manuel Cardoso
2 Nov 2012

Há dias Pinto da Costa deu a atender que já tem em vista potenciais substitutos de Jackson Martinez em caso de transferência deste jogador. Não me admirava nada que Éder fosse um deles.
Depois de termos garantido todo o valor orçamental da época com as transferências já efetuadas, fica o dinheiro da Champions como lucro, assim como as receitas correntes. A isto poderemos, pelos vistos, acrescentar mais milhões em janeiro, seja com Éder seja com qualquer um dos muitos atletas que têm revelado categoria suficiente para dar ao SC de Braga uns bons milhões de euros.
Perante isto, repito a pergunta que coloquei há algumas semanas: que fazer com estes milhões? Na altura, indiquei as modalidades amadoras como um excelente destino de investimento. Mas perante este caudal de receitas atrevo-me a acrescentar mais algumas hipóteses.
Se continuamos em “contracorrente” em relação à crise do país, porque não inovar e, pela primeira vez no desporto nacional, investir em projetos de âmbito social? Ainda há pouco tempo a SAD investiu largos milhares de euros oferecendo um automóvel de gama alta a cada elemento do plantel. Reconheço que foi um investimento e não um gasto, tendo em conta a motivação e o ambiente positivo no plantel e isso acaba por trazer retorno. Não estou minimamente informado sobre os valores investidos mas acredito que a empresa que forneceu os automóveis tenha feito uns preços “de amigo”. Da mesma forma, penso que algumas empresas do ramo da construção e imobiliárias poderiam também fazer uns preços de ocasião para, por exemplo, algumas habitações que o clube poderia arrendar a associados economicamente carenciados, com rendas baixas. Nestes tempos de crise, este tipo de iniciativa seria uma verdadeira pedrada no charco do despesismo disparatado que os clubes de futebol têm evidenciado.
Com os milhões que temos ganho não seria difícil investir noutras iniciativas de âmbito social que constituiriam um magnífico exemplo nestes tempos de crise em que o capitalismo selvagem em que vivemos vai fabricando cada vez mais pobres.
Eu sei que o presidente António Salvador tem um sonho: a academia. Sei também que ele é já um dos nomes maiores da história do clube. No entanto, atrevo–me a fazer-lhe esta crítica: a academia corre o risco de ser um sumidouro de dinheiro sem qualquer garantia de retorno. Não quero que o meu clube repita os erros de outros. O que eu gostava mesmo era que o meu clube investisse nesta massa humana que o tem acompanhado de forma cada vez mais fiel. Que o meu clube fosse um exemplo de solidariedade e de humanidade. Pelo menos, gostava que o Presidente e Administradores pensassem um pouco nestas hipóteses…




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