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Todos os Santos

1 Significado da solenidade de Todos os SantosA Igreja, em estado de peregrina, presta homenagem aos membros da Igreja que se encontram no estado de felicidade com Deus. Ao instituir esta solenidade, pretendeu-se reunir numa mesma celebração o conjunto dos santos que nenhum catálogo ou martirológio incluía em listagem completa, e também os santos desconhecidos ou anónimos. Os santos canonizados e não canonizados.
 

Silva Araújo
1 Nov 2012

2. Síntese histórica
A Igreja primitiva começou por homenagear os mártires. (A primeira leitura da Missa faz-lhes particular referência). Volvido o perío-do das perseguições, passou a homenagear também os que praticaram em grau heróico as virtudes cristãs.
Começou por se celebrar no primeiro domingo de Pentecostes. Foi trasladada para 1 de novembro quando o Papa Gregório Magno (590-604) fixou nessa semana as Têmporas do Outono. Em 13 de maio de 610, o Papa Bonifácio IV (608-615) transformou o Panteão de Roma numa igreja dedicada a Maria e a Todos os Santos. Finalmente, o Papa Gregório IV (827-844) conseguiu que o imperador do Ocidente, Luís, o Piedoso (814-840), assinasse um decreto com o qual fixava a solenidade de Todos os Santos em 1 de novembro.
 
3. Quantos são os santos
O livro do Apocalipse (primeira leitura da Missa) fala de «uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas».
 
4. Por que são santos?
Os canonizados, porque, sem o pretenderem, deram nas vistas pela forma como praticaram, em grau heróico, as virtudes cristãs.
Os não canonizados, porque, tendo praticado em elevado grau as mesmas virtudes, passaram despercebidos.
 5. Pessoas normais e de todos tempos
Quando entrei no Seminário, causou-me viva impressão a imagem de S. Domingos Sávio: era o único vestido à homem, com calça e casaco.
Grande parte das imagens que estão nas igrejas correm o risco de gerar nas pessoas a ideia de que os santos são coisa do passado e seres estranhos.
Os santos não foram nem são extraterrestres. Foram e são pessoas vulgares. Que viveram neste mundo. Que enfrentaram dificuldades semelhantes às nossas.
Existiram no passado como existem no presente.
 
6. Não nasceram santos
Santificaram-se ao longo da vida. Souberam fazer da vida um caminho de santidade. Viveram de harmonia com o Evangelho. Viveram como filhos de Deus. Puseram em prática o mandamento do Amor.
E fizeram isto durante toda a vida?
Alguns, não. Houve santos que antes de o serem foram grandes pecadores. A certa altura, tomaram consciência dos erros que cometeram, arrependeram-se, acreditaram no perdão e na misericórdia de Deus e converteram-se, isto é, passaram a viver de outra maneira.
Não deixava de ser elucidativo reunir num livro os pecados cometidos por pessoas que veneramos como santas e mostrar quanto fizeram para se corrigirem e santificarem.
 
7. Todos devem ser santos
A Igreja tem insistido na vocação universal à santidade.
Todas as pessoas, independentemente da sua condição social e económica, do seu estado de vida, do seu grau de cultura, da sua raça, são chamadas a serem santas.
Sem precisarem de sair do lugar em que se encontram, de mudarem de estado de vida, de passarem a exercer outra profissão. Em muitos casos, talvez sem fazerem mais do que o que já fazem, mas passando a fazê-lo melhor, com outra intenção.
A santidade não é um privilégio de ninguém mas um ideal acessível a todos.
São santos os que, vivendo na graça de Deus, procuram fazer bem, por amor de Deus, as coisas simples e vulgares de cada dia. Cumprir bem os seus deveres, vendo nisso a vontade de Deus. Viver cristamente as alfinetadas do dia a dia.
Não é preciso fazer coisas extraordinárias, mas fazer extraordinariamente bem as coisas ordinárias. Há quem se santifique a cuidar das toalhas dos altares como quem se santifique a mudar fraldas a bebés e a doentes. A ensinar catequese como a ensinar matemática. Quando se atua por amor de Deus e na graça de Deus, é tão importante descascar batatas como construir catedrais.
Precisamos de santos. Santos alegres e não misantropos. Santos compreensivos e não rabugentos. Santos de cabeça levantada e não de cabeça torta.
 
8. Santos do lado de lá e do lado de cá
A vida tem dois lados: o lado de cá e o lado de lá.
Em qualquer desses lados, há santos. Mas com uma diferença: os santos que passaram para o lado de lá não podem deixar de o ser. Quem se encontra do lado de cá, pode agora ser um santo e logo um grande patife.
Nenhum dos que se encontram deste lado da vida é confirmado em graça, pelo que é necessário viver a virtude da perseverança. Ser santo agora e logo. Sempre.
 
9. A comunhão dos santos
A Igreja a que pertencemos encontra-se em três estados: de peregrina (aqui na terra), de felicidade com Deus (no que chamamos Céu), de purificação a caminho da felicidade com Deus (no que designamos de Purgatório).
Mantemo-nos unidos uns aos outros e podemos ajudar-nos uns aos outros. Há (ou deve haver) entre nós um grande vínculo de solidariedade.
 
10. Intercessores e exemplo
É bom vermos os santos como nossos intercessores junto de Deus.
Não lhes peçamos milagres, mas roguemos a Deus que, por intercessão deles e em atenção aos méritos deles, nos conceda as graças de que carecemos.
Os santos são, para nós, exemplos a imitar, na forma como seguiram Jesus e praticaram as virtudes cristãs.
Não deixa de ser útil a leitura de boas (há algumas doentiamente piedosas) biografias de santos.
 
11. Defeitos a evitar no culto dos santos
Pô-los ao nível de Deus. Adorá-
-los. Ajoelhar diante das suas imagens. Preferi-los ao Santíssimo Sacramento. Adoramos Deus e veneramos os santos.
Dar a fórmulas de orações um poder que elas não têm, como acontece com certos textos de que mandam tirar fotocópias. Posso rezar com palavras minhas.
Unir o culto do santo a uma determinada imagem. A imagem não é o santo, como a fotografia não é a pessoa.
 
12. Tradições a propósito
A festa do Halloween, também chamada dia das bruxas, em que as pessoas usam máscaras dizem que para afugentar os espíritos. É um costume de origem pagã usado pelos celtas que se está a vulgarizar entre nós, sobretudo na gente nova, e relega para um segundo plano, se não a elimina, a solenidade de Todos os Santos. Está a ser divulgado e explorado comercialmente. É de evitar.
O pão por Deus, por sua vez, pode ser, nestes tempos de crise, uma tradição a recuperar, em moldes que não humilhem quem precisa. As pessoas também se santificam repartindo com quem não possui o necessário.




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