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Enxada ou chave de fendas?

Imaginemos um mecânico que tenta descobrir a causa de um problema num carro. Olha para um lado, olha para outro e não consegue descobrir a razão da avaria para decidir como agir. Todavia, na sua mão ele tem uma enxada, muito útil para trabalhar no campo, mas pouco usada numa oficina de carros, em vez de ter uma chave de fendas para apertar ou desapertar os inúmeros parafusos que tem pela frente. Certamente pensaríamos que a avaria nunca mais seria reparada e duvidaríamos muito da competência do mecânico; talvez, se fôssemos seu cliente, até o “mandássemos ir cavar batatas”.

P. Hermenegildo Faria
1 Nov 2012

Uma situação semelhante a esta está a passar-se na crise europeia atual. Vemos os governantes, os deputados da maioria e da oposição, todos com calculadoras na mão. Soma o PIB, subtrai os juros, adiciona a inflação, multiplica o subsídio, calcula as reformas, estima o Estado Social, divide per capita, compara com o homólogo, confronta com as projeções, prevê o crescimento, avalia a conjuntura, afeta as verbas, acrescenta investimento… tudo isto de calculadora na mão, digitando números, percentagens, índices, décimas, algarismos, proporções e modelos matemáticos, mas tudo parece não resultar, tudo parece estar mal, todos os cálculos saem errados. Parecem o mecânico que tenta resolver um problema no carro com a enxada.
A nossa crise atual não é de números, é de espírito. Parecemos os antigos reis de Israel que, com o inimigo às portas, tentavam fazer face às crises com alianças estratégicas ou com táticas militares, mas continua-
vam a praticar o mal e até ainda o praticavam mais: Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que têm as trevas por luz e a luz por trevas, que têm o amargo por doce e o doce por amargo! (Is 5, 20). Nessas ocasiões, apareciam os profetas que lhes lembravam que quem não se apoia no Senhor não adianta que ponha a sua confiança no escudo ou na espada: Efraim será destruída, deixará de ser povo. Se não o acreditardes, não subsistireis. (Is 7, 9)
Querem salvar o Serviço Nacional de Saúde, a RTP, a Escola Pública, as Conquistas de Abril, a Constituição, o Estado Social, as Prestações Sociais, as Infraestruturas, a Democracia, a Europa, o Projeto Europeu, a Solidariedade… Portugal será destruído, deixará de ser povo. Se não voltar à fé, não subsistirá.
Deixem a calculadora e peguem na Bíblia.




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