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No mundo da ilusão e da demagogia

Viver em democracia é fixe. Então, viver numa democracia de esquerda é simplesmente maravilhoso. Melhor ainda é viver numa democracia de esquerda e com muito dinheiro para se poder gastar e para se poder distribuir pela fidalguia à tripa forra, até que os cofres fiquem completamente depenados. No final, logo se verá quem pagará as contas e as dívidas, entretanto, contraídas.

Armindo Oliveira
31 Out 2012

E se os credores vierem chatear muito, encomendam-se manifes nas ruas e protesta-se contra os usurários e contra o governo em funções, pois estes só pretendem atirar para a pobreza todo um povo que se sente injustiçado e revoltado. É por isso que a democracia é fixe: dá-nos todas as mordomias, permite que a classe política e todos os que orbitam nesta esfera se aproveitem da situação em benefício próprio e sem assumir responsabilidades dos atos praticados e depois o povo vem para a rua extravasar todas as suas mágoas e pesadelos.
A democracia é um regime que fica caro ao erário público, mas também é divertido, porque podemos dizer tudo o que queremos que nada nos acontece. Podemos dizer disparates, que o sagrado princípio da tolerância lhe dá a respetiva cobertura. Podemos branquear e ilibar aqueles que, irresponsavelmente, nos conduziram ao estado de miséria em que agora vivemos. Não há responsáveis, nem culpados. É tudo boa gente. Podemos chiar à vontade que nos atos eleitorais esquecemos todas as maldades que nos fizeram. A democracia é mesmo fixe e divertida.
Com esta democracia, temos todos os direitos, todas as liberdades e todas as garantias de uma vida plena de alegria, de festa e de um futuro tranquilo. Não há preocupações, nem haverá dificuldades. Tudo devidamente consagrado na lei fundamental do país. Ou seja, na constituição que é, por sinal, a mais avançada da Europa ou mesmo do mundo.
A democracia da esquerda, e quando endinheirada, preconiza o direito inalienável à Saúde gratuita, quer seja na vertente cirúrgica, nos meios complementares de diagnóstico, nos atos médicos e na parte que se refere aos medicamentos. Tudo simples, tudo à borla. Preconiza o direito à Educação gratuita, sem pagamentos das famigeradas propinas, com ação social escolar a fornecer todo o tipo de refeições e outros apoios imprescindíveis para um ensino de alta qualidade, como livros, todo o material escolar e ter ainda residências disponíveis para professores e estudantes, caso seja necessário. Preconiza o direito à Justiça gratuita. Ninguém paga a advogados nem custas de tribunal. Preconiza-o direito social a ter uma reforma bem remunerada para haver impossibilidades de causar problemas de stress ou de outras maleitas associadas. Preconiza o direito a uma lei laboral profundamente humana, bloqueada a despedimentos, em que o trabalho diário não pode exceder as sete horas e, se possível, com intervalos de uma hora nos períodos da manhã e da tarde. Deveria também preconizar o direito à habitação a preços altamente controlados, em que o pagamento da prestação mensal não pudesse ultrapassar os 5 por cento do salário líquido. Deveria conferir o direito a férias tendencialmente gratuitas em hotéis da INATEL em regime de pensão completa e com visitas culturais guiadas. Para aqueles que não querem trabalhar, a democracia de esquerda arranja sempre um subsídio em dinheiro vivo para fazer face aos custos da vida. Quando isto se verificar, o subsidiário também fica isento de pagamento de renda de casa. (Em Braga, paga a BragaHabit). Pode ainda acrescentar-se a isenção de taxas moderadoras e de outras mordomias do regime.
Na democracia do Estado Social e do Serviço Público, só há direitos e mais direitos. Deveres só para os outros, obrigações poucas e responsabilidades nenhumas.
Este foi o país que a nossa classe política de esquerda construiu no papel. Foi este o país que nos tentaram vender e impingir. É este país que ainda hoje é defendido por um bando de políticos que vive no mundo da ilusão, da falácia e da demagogia. Só que a verdade e a realidade pintam-se com outras cores. Com as cores das dívidas colossais, da austeridade cega e da pobreza.




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