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Porquê e para quê um «Ano da Fé»?

A todos os batizados Deus confere o dom da fé. Se o batismo ocorre quando a criança é bebé, com poucas semanas ou dias de vida, a conservação desse dom compete, prioritariamente, aos pais e também aos padrinhos que, na falta dos pais (por morte ou por negligência), se devem encarregar disso.

Maria Fernanda Barroca
27 Out 2012

Infelizmente, a escolha dos padrinhos muitas vezes é feita com critérios interesseiros economicamente – que sejam ricos para poder dar boas prendas aos afilhados. A escolha deverá ser feita, pensando se eles podem ou não coadjuvar os filhos na sua educação.

Na altura própria, pelos 16-18 anos, com a receção do Sacramento da Confirmação, o rapaz ou a rapariga assumem manter esse dom.

Ora, desde há muito, temos vindo a assistir a um afastamento da fé, uns por negligência, outros por maus exemplos, outros por libertinagem. Dizia uma senhora que era católica e se voltou para uma das muitas seitas que por aí proliferam: “Como na Igreja católica não podia fazer o que queria, mudei-me para quem me oferece o que devo fazer à la carte”.

A Igreja, consciente disso, sentiu que precisava de se renovar, e o Santo Padre Bento XVI escreveu uma Carta Apostólica intitulada «A Porta da Fé». Aproveitando os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, convocado pelo beato João XXIII, convidou os fiéis a viverem um Ano da Fé, que se iniciou a 11 de outubro deste ano (neste mesmo dia, em 1962, começou o Concílio Vaticano II) e terminará a 24 de novembro de 2013, Festa de Cristo-Rei.

Então começamos a perceber o por quê e o para quê do Ano da Fé: «É um convite a uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelou em plenitude o Amor que salva e chama os homens à conversão da vida, mediante a remissão dos pecados. Para o apóstolo Paulo, este Amor leva o homem a uma nova vida: «Sepultámo-nos, pois, juntamente com Ele, por meio do Batismo, na morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos mediante a glória do Pai, assim caminhemos, nós também uma vida nova”(Rm 6, 4)»

Essa renovada conversão deve levar–nos a uma Nova Evangelização.

Quando se falava em “evangelização”, nós os que dizíamos que vivíamos no mundo civilizado, pensávamos logo nos habitantes do Terceiro Mundo. Mas as coisas mudaram e agora a Igreja sente a necessidade, não só de evangelizar, mas de re-evangelizar. A isso somos nós convidados, mas temos de ter consciência e recordar o que dizia São Gregório Nazianzeno: “Primeiro purificar-se e depois purificar; primeiro deixar-se instruir pela sabedoria e depois instruir; primeiro converter-se em luz e depois iluminar; primeiro aproximar-se de Deus e depois levar os outros a Ele; primeiro ser santos e depois santificar». Estas palavras citava-as o beato João Paulo II na sua Exortação Apostólica Pastores gregis, de 16 de outubro de 2003, n.º12.

Por isso, São Josemaria, fundador do Opus Dei, dizia que a atividade fundamental da Obra era «dar doutrina». E como ninguém pode dar o que não tem o seu esforço foi sempre assegurar aos fiéis da Prelatura uma formação segura e constante até morrerem.

Numa Carta de 9 de janeiro de 1959, escrevia: “Ponde muito empenho em assimilar a doutrina que vos é dada, de maneira que não se esgote; e senti a necessidade e o dever alegre de levar a outros a formação que recebeis, para que solidifique em boas obras, cheias de retidão, também nos corações de muitos mais”.




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