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Outro Ponto de Vista

Depois da tempestade provocada pelos “media” acerca da posição a adotar pelo CDS/PP acerca da proposta de Orçamento, a bonança da normalidade. Óbvio que o voto do CDS/PP teria de ser o que foi anunciado, não só em nome da coerência que se impõe a quem faz parte integrante do Governo, como, também, pelo que estava a montante: a proposta de Orçamento não é de uma parte do Governo, é do todo.

Acácio de Brito
26 Out 2012

Ora, em exercício de lógica mediana, não se pode afirmar a verdade e falsidade de uma mesma proposição. Se o CDS é parte da atual coligação que nos governa, a conclusão tem de ser aquela a que, finalmente, alguns chegaram. Admitir o seu contrário, só na lógica do puro absurdo!
Este raciocínio não invalida, contudo, que as posições, várias, de alguns dos nossos representantes no Parlamento não sejam de mais-valia para o resultado final: um orçamento melhorado, sabendo, não obstante, que as dificuldades advêm de nos encontrarmos em estado de dependência extrema e externa em relação a quem devemos muito dinheiro.
Escamotear esta realidade tem sido prática das atuais oposições. Uma que não conta, apesar do barulho que provoca, e uma outra representada pelo PS que deveria ter – perdoe-se-me a verborreia mais cáustica – vergonha na cara!
Muitos dos rostos que nos aparecem a prometer mundos e fundos, o fim mesmo da austeridade, foram os responsáveis que, pelas suas ações ou omissões, nos conduziram ao atual estado de bancarrota em que nos encontramos.
Se o “triunvirato” não desbloquear dinheiro, pura e simplesmente passamos a viver do chamado “pastelinho de brisa”. O que produzimos não chega para nível de vida que dispomos.
Esta a realidade nua e crua!
Todavia existe uma saída e esta coligação tem feito o caminho das pedras.
Mas não chega!
Deve ousar reformar o que ainda tem tempo para o fazer, acabando com as vergonhosas gorduras de um Estado que não se aguenta, nomeadamente cortando com todos os apoios às pseudofundações existentes, eliminando os incentivos a perdulárias empresas e institutos que não justificam o custo público para a sua existência e reformando, a sério, as áreas de intervenção em que o Estado deve continuar.
Se explicarem bem às pessoas onde o dinheiro dos impostos é gasto, a exigência do contribuinte, hoje exaurido, será lenitivo e tónico bastante para a dureza dos combates aos interesses instalados.
Que são imensos! Parcerias que gostaríamos de saber quem as criou, como as criou e que contrapartidas permitiu; Institutos que gostaríamos de saber que interesses protegem e, já agora, os custos associados; empresas municipais cujo desiderato é o emprego dos apaniguados dos autarcas em serviço; e, por que não, dar a conhecer as razões da necessidade de tantos pareceres e estudos que o Estado Central promove, dizendo-nos os seus custos e os seus promotores e promitentes.
Discurso populista?
Não.
Apenas alguém que defende que o Estado, que somos todos nós, funciona em última análise como uma família, com os recursos que tem que limitam as necessidades de cada um.
Numa perspetiva matriarcal, coloquemos, como diz Medina Carreira, uma boa Dona de Casa a gerir as Finanças e, teremos muitas dificuldades, mas não gastaremos mais do que temos.
Tudo o resto é música de embalar meninos!




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