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O fugitivo

De novo recorro não a um livro, mas a um Filme para intitular estas Crónicas de que alguns já andam aborridos porque eu “só digo mal”, o que é mentira, pois como dizia o épico, ainda não saneado nesta fúria contra tudo o que soa a Pátria: “Não digo se não verdades puras!”. Filme que tem um suporte literário, enredo ou livro, que não tenho e desconheço. Trata-se da série de sucesso televisivo, que nos inquietou os serões vinte ou mais anos lá irão, e de onde nasceu um Filme O Fugitivo de 1993 realizado por Andrew Davis, com Harrison Ford no papel de Dr. Richard Kimble e Tommy Lee Jones como Samuel Gerard.

Gonçalo Reis Torgal
26 Out 2012

Não confundir com o filme de igual nome de John Ford, 1947, protagonizado por Henry Fonda, da novela de Graham Green O Poder e a Glória, passado e filmado no México.
Como lembram, o Dr. R. K. é acusado e condenado pela morte da Mulher. Inocente, consegue fugir, perseguido pelo feroz Tenente Gerard. A escolha do título para esta Crónica, que dedico a um HOMEM que nunca fugiu, mas nos fugiu, o Poeta Jornalista Manuel António Pina, lembrou-se-me dado o panorama português de tantos fugitivos. Fujões, melhor diria, já que nenhum acirrado Tenente Gerard ou implacável Javert os persegue por mais crimes de lesa Pátria que hajam cometido, pelos quais por vezes até são promovidos ou, pelo menos, gozam de um “exílio” dourado, crimes face aos quais as Leis que outros ferem não têm aplicação, não se sabe a razão.
Fugiu Cavaco para travessia no deserto, castigado pelos portugueses, traindo o Dr. Fernando Nogueira, depois de delapidar os milhões da Europa em delírios do betão e desastrosos contratos, com os quais destruiu uma Agricultura pelo menos de remedeio, uma frota pesqueira de abundância, transportes ferroviários, veias de um interior ainda não desertificado se bem que abandonado, empobrecendo o País já de si pobre, mas enriquecendo os mais arteiros dos seus próximos que fugiram da Tutela para a frente de empresas tuteladas, com as quais haviam estabelecido contratos leoninos para elas, ruinosos para o Estado. Fugiu Guterres após anos de desgoverno, feito Comissário Mundial não lembro de quê. Fugiu Durão Barroso, “rei” nu de uma falsa Europa. Fugiu Constâncio, promovido, quiçá por ter fechado os olhos ao descalabro do BPN. Fugiram os burlões desta Burla bem maior do que a de Alves dos Reis (cf. a minha Crónica O Segredo da minha Confissão, aqui publicada) face à complacência da Justiça e que hoje nos custa os olhos da cara e ao ex-Secretário Geral do PS rende milhões. Fugiu o Eng.º Sócrates gozando Boa Vida em Paris, ninguém sabe a fazer o quê nem à custa de quem, embora corram notícias de enriquecimentos familiares inexplicáveis e fugas para off-shores, que ninguém se incomoda em averiguar e esclarecer. Um Rap da moda já o classificou em refrão de protesto. É “o Zé que fugiu e ninguém mais o viu!”. “Fugiram” outros de vários quadrantes para o El Dourado do Parlamento Europeu, que isto por cá já deu o que tinha a dar, onde não são vistos e pouco achados. À D. Lurdes, que delapidou a Educação e deu forte empurrão no desertificar o Interior, puseram-na a “fugir” para a OCDE. Fogem os ministros num apalhaçado corrupio. Fugiu Paulo Portas para o Brasil incapaz de moderar os desmandos de Coelho Passos Pedro e do Superministério Victor Gaspar. Retornado, fugiu à verdade em discurso patrioteiro e demagógico de falso patriotismo. A Pátria é o PVO, reduzido à miséria, Senhor Presidente do CDS, Partido a retornar ao táxi, por desonrar compromissos, como mostraram as eleições Açorianas. Em ridiculez extrema fugiu o Primeiro Ministro da República em dia grande dos republicanos. O poder, na ausência, fê-lo dia menor e ridículo. A polícia proibiu o Povo de se juntar à comemoração – incrível! Comemoração reduzida a meia dúzia de convidados num como que Pátio das Cantigas onde só não se perguntou – Oh Evaristo! Ainda há disto? (República). Mais gente em Coimbra na apresentação do “Memorial Republicano”. do Prof. Carvalho Homem e Alexandre Ramires. O Presidente do Município, organizador da sessão, esqueceu a República e fez comício. O discurso do Chefe de Estado foi variante dos de plástico a que nos habituou. Os Ministros fugiram por porta escusa, escusando-se a ser vaiados, como o Primeiro Ministro sabia que seria e fugiu. Voltou com ímpeto com um OE incumprível e fugiu do Povo por demais empobrecido. Arruinado o País, fugirá para qualquer El Dourado sem que culpas lhe sejam pedidas. Daí o desplante do “Que se lixem as eleições”. Fuga não tem o povo espoliado, ROUBADO, pois já dizia o Padre António Vieira no Sermão do Bom Ladrão: “Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas. Os ladrões que mais merecem este título são os que pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.”




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