Fotografia:
“A dreamer… in the football’s land”

A exemplo de outros espaços de culto futebolístico que o SCB, graças à excelência dos resultados, me tem proporcionado nestes últimos anos, tive agora a oportunidade única de estar num ambiente mítico, “OLD TRAFFORD – o Teatro dos Sonhos”. Tendo a hipótese (há alguns anos irreal) de ver atuar lá os Gverreiros do Minho, atempadamente tratei de tudo para que o momento fosse definitivamente… de sonho. Conhecedor do valor dos artistas locais, ou não fossem eles da pátria de Shakespeare, levava também a crença (concretizada) de ver uma excelente atuação dos nossos.

Carlos Mangas
26 Out 2012

Mas, a cidade onde se encontra o Teatro dos Sonhos, tem também o National Football Museum, e seria uma heresia da parte de quem gosta de futebol, não o visitar. Assim, entrei noutro mundo e deliciei-me com tudo o que se possa imaginar sobre a história e estórias de futebol, objetos, exposições, frases, filmes e fotos marcantes dos deuses da modalidade, ouvir, via telefone, treinadores consagrados a falar sobre as táticas utilizadas, enfim, estive lá sensivelmente 90 minutos, mas aquele jogo podia ter tido prolongamento, que eu não conseguiria absorver tudo, com a atenção e o interesse que o espaço merece e justifica. Isto porque, o principal motivo da estadia era outro e eu fazia questão de “viver” o ambiente em redor do teatro, antes da peça propriamente dita.
Como perspetivava, e à semelhança de ambientes vividos em Londres e Liverpool, na terra onde nasceu o futebol, este é vivido de forma única. Chegado ao estádio, ressalta a imponência da loja do clube onde é mais difícil aceder em dia de jogo do que… ao Pingo Doce em dia de promoções. Ainda no exterior, fotos e bustos, relembram a equipa que teve o acidente aéreo quando regressava de Munique, bem como as principais figuras do emblemático clube. Também afixada na parede do estádio, e para um jogo apenas, uma placa em metal mostra-nos o fair-play britânico no seu melhor: “Welcome to Old Trafford the supporters of Club de Braga”. Eramos sensivelmente mil, os portugueses presentes, que entrámos no estádio com alguma antecedência para as fotos da praxe, e para sentir e ouvir o Hino da Champions.
Como o próprio nome indica, no Teatro dos Sonhos é permitido sonhar, e, mal o jogo se iniciou, nós fizemo–lo. E no nosso sonho, os jogadores do SCB brilhavam mais que os do MU, e passados os primeiros vinte minutos, o sonho transformado em realidade punha-nos autenticamente nas nuvens, enquanto os setenta mil anfitriões, num silêncio sepulcral, viviam um pesadelo no qual o único som melodioso… eram os nossos cânticos, Portuguesa incluída.
Claro que como em todos os sonhos, há o problema do acordar e nós começámos a fazê-lo lentamente a partir da meia hora, e no final do jogo já totalmente despertos, convivíamos dificilmente com um sabor amargo e a sensação de um sonho lindo, desfeito.
Mas, se a equipa através da sua atuação, dignificou o clube, a região e o País, também os adeptos o fizeram, quer no apoio constante, quer na descoberta de rotas inimagináveis que iam “desaguar” a Manchester. Braga-Porto-Faro-Liverpool-Manchester; Braga-Porto-Barcelona-Liverpool-Manchester; Braga-Porto Londres-Manchester; Braga-Lisboa-Londres-Manchester, outros pontos do globo-Manchester… os adeptos Gverreiros, mostraram uma criatividade na escolha dos percursos, que só poderia advir de sermos de um país outrora conhecido pelos descobrimentos. Ah, é verdade, eu ainda não acordei totalmente e acredito que este ano vou completar os Big Four, com o Chelsea, mais lá para a frente.
Nota: (Título – Um sonhador na terra do futebol)




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