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O Matrimónio e a Família, no “Plano de Deus”

2012 – Outubro, 7: Solene concelebração eucarística, domingo de manhã, na Praça de S. Pedro, presidida por Bento XVI, com mais de 250 bispos que participam, no Vaticano, na Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização para a transmissão da Fé, durante as três semanas seguintes, até ao dia 28.

Maria Helena H. Marques
25 Out 2012

Na homilia, o Papa refletiu brevemente sobre a “nova evangelização”, fazendo notar a diferença entre o primeiro anúncio do Evangelho a quem nunca ouviu falar de Cristo e do Evangelho e a evangelização dos batizados que se afastaram da fé e da Igreja. A propósito, Bento XVI recordou que a Igreja existe para evangelizar! Como aconteceu logo no princípio com os primeiros discípulos que, fiéis ao mandamento do Senhor, partiram pelo mundo a anunciar a Boa Nova, fundando por toda a parte comunidades cristãs que cresceram e frutificaram.
Detendo-se nas leituras da Missa desse domingo, Bento XVI interrogou-se sobre “o que significam hoje para nós” as palavras do Génesis, retomadas por Jesus no Evangelho: “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne”.
Continuando, o Papa observou: “Parece-me que nos convida a tornarmo-nos mais conscientes de uma realidade já conhecida, mas talvez pouco apreciada: “o matrimónio constitui, em si mesmo, um Evangelho, uma Boa Nova para o mundo de hoje, em particular, para o mundo descristianizado. A união do homem e da mulher, o ser “uma só carne” na caridade, no amor fecundo e indissolúvel, é um sinal que fala de Deus com força, com uma eloquência que atualmente se torna ainda maior porque, infelizmente, por diversas razões, o matrimónio, de modo particular nas regiões de antiga tradição cristã, está a passar por uma crise muito profunda.
“O matrimónio fundamenta-se, enquanto união do amor fiel e indissolúvel, na graça que vem de Deus Uno e Trino, que em Cristo nos amou com um amor fiel até à Cruz. Estamos em condições de compreender toda a verdade desta afirmação, que contrasta realmente, com a dolorosa realidade de muitos matrimónios que, infelizmente, acabam mal”.
Bento XVI destacou também que existe uma “clara correspondência entre a crise da fé e a crise do matrimónio. E como a Igreja afirma e testemunha há muito tempo, o matrimónio é chamado a ser não apenas objeto, mas o sujeito da nova evangelização. É o que já se vê em muitas experiências ligadas a comunidades e movimentos, mas também se observa, cada vez mais, nas dioceses e paróquias, como muito bem foi demonstrado no ainda recente Encontro Mundial das Famílias.
É visível, mas nunca será demais repetir, que o matrimónio é santo e caminho de santidade. Por isso, o casal cristão pode e deve também testemunhar com a sua doação e entrega generosa, o amor de Deus pela humanidade.
No Evangelho deste domingo, podemos ver também como Jesus respondeu ao ser interrogado sobre o divórcio permitido pela lei de Moisés: “Moisés permitiu-o por causa da dureza do vosso coração. Mas desde o começo da Criação Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e os dois serão uma só carne. Portanto, o que Deus uniu não o separe o homem”.
Diante da perplexidade dos discípulos, Jesus concluiu que “quem despede sua mulher e se casa com outra, comete adultério”. Assim como acontece com a mulher que se separa do marido e se liga a outro.
Numa época em que muitos procuram destruir ou desfigurar a família, é urgente proclamar o Plano de Deus sobre o Matrimónio e a Família. Não se trata de uma norma da Igreja, é sim o Plano de Deus Criador, reafirmado por Cristo, onde as crianças têm necessariamente, um lugar primordial. Quando surgem problemas de desagregação da família, não podemos ignorar que são sempre as crianças – os filhos – as maiores vítimas.
Por tudo isto, “o matrimónio, para um cristão, não pode ser, – porque não é –, uma simples instituição social; é uma autêntica vocação sobrenatural, que S. Paulo define como “Sacramento grande em Cristo e na Igreja” e, ao mesmo tempo e inseparavelmente, contrato que um homem e uma mulher estabelecem para sempre, porque – queiramos ou não – o matrimónio instituído por Jesus Cristo é indissolúvel: sinal sagrado que santifica, ação de Jesus que se apossa da alma dos que se casam e os convida a segui-Lo, transformando toda a vida matrimonial em um caminho divino sobre a terra” (S. Josemaria, Cristo que passa, 23).




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