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Mais do que um sonho

Muitos adeptos exigentes e treinadores de bancada aproveitaram já a derrota em Manchester para tentarem confirmar as suas teses críticas face ao facto de, mais uma vez, não termos conseguido segurar um resultado vantajoso e termos sofrido três golos. Eu sou o primeiro a reconhecer que a segurança defensiva da nossa equipa não é a mesma de outros tempos. No entanto, também é inegável que a eficácia ofensiva bate todos os recordes dos últimos anos.

Manuel Cardoso
25 Out 2012

As extraordinárias campanhas europeias dos últimos tempos levam-nos, por vezes, a esquecer a realidade: eu não sei qual o valor do orçamento anual do Manchester United mas não andarei longe da verdade se afirmar que estamos perante o confronto com um clube com um orçamento equivalente a mais de quinze plantéis do SC de Braga. O que aconteceu em Manchester naquela primeira parte foi algo de heroico: subjugar por completo uma equipa que está entre as dez melhores do mundo. É óbvio que a segunda parte mostrou, apenas, a natural diferença de dimensão entre os dois plantéis. Portanto, penso que estamos perante mais um episódio notável da carreira europeia do nosso clube, mau grado os três pontos cedidos.
O que ficou deste jogo não foi apenas a imagem simpática do clube. Foi também uma notável valorização dos nossos jogadores no mercado externo. Exibições como as de Éder ou Rúben Micael deixaram certamente curiosos alguns potenciais investidores. Isto é também uma vitória e muito importante.
Esta visão positiva do atual estado do clube não pode, no entanto, fazer esquecer os problemas que naturalmente existem; há, evidentemente, muito por onde evoluir. Mas o trabalho que vem sendo realizado é notável, tanto da parte da direção da SAD como da equipa técnica. Ainda há dias surgiu uma notícia que penso merecer o maior relevo: o facto de termos adquirido cinquenta por cento dos direitos desportivos de Ruben Micael. Trata-se, a meu ver, de mais um investimento muito acertado. É isto que faz o Braga crescer. Esta decisão pode vir a valer mais que um apuramento nesta fase da Champions. As vitórias não se conseguem só no terreno de jogo.
Agora, temos pela frente três jogos em que podemos pontuar: em Braga com o Manchester, na Roménia e depois novamente em Braga, frente ao Galatasaray. Estes três jogos podem marcar um novo episódio verdadeiramente impensável num clube como o nosso. O objetivo maior que me leva a escrever este texto é a vontade de contribuir para que a cidade acorde para esta realidade: o que se está a construir em Braga é muito mais que um sonho; é mais que uma página, é um livro inteiro de heroísmo.
Isto não é sonho, é realidade. Sonho é outra coisa: sonho é este que tenho de ver o AXA cheio para receber o Manchester. Convido todos os leitores a contribuir para a realização deste sonho: vamos estar em peso, com todo o entusiasmo, com toda a crença a apoiar a nossa equipa no dia 7 de novembro e assim ajudar a escrever a página mais heroica deste livro de glórias.




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