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O Estado e a gordura

A gordura de um Estado é diretamente proporcional ao esbanjamento e ao despesismo, isto é, quanto mais estes crescem, mais aquela medra. E tem sempre raízes na falta de rigor, planeamento e espírito de poupança que sempre devem presidir aos atos governativos. Porque o dinheiro não é de quem governa, mas de quem cria riqueza e paga impostos.

Dinis Salgado
24 Out 2012

Quando se escolhe um governante, deve-se ter em atenção, pelo menos, três qualidades que, publicamente, lhe são reconhecidas: honestidade, competência e verdade. Porém, tendo em conta as caraterísticas do nosso sistema eleitoral e político, apenas é permitido ao eleitor sancionar os candidatos que os partidos políticos lhe apresentam. Afinal, estes, sim, é que verdadeiramente exercem o legítimo direito de escolha.
Daqui resultam escolhas, quase sempre, obedientes a lóbis, corporações e grupos de pressão e de interesses que sempre influenciam a futura governação. E quando se pretende e necessário é, mormente nos momentos mais difíceis, entregar os destinos do país a verdadeiros estadistas, tal não é possível.
Temos ainda bem presentes as ações de certos governantes, cuja demagogia, incompetência e populismo arrastaram o país para a hecatombe e o miserabilismo em que vivemos. E a isto não é alheia, obviamente, a gordura com que tais governantes anafaram o Estado. Quem não se lembra da política dos jobs for the boys (emprego para os rapazes) levada a cabo pelos governos de Guterres e Sócrates?
Igualmente se engorda o Estado criando institutos, subsidiando fundações, estabelecendo parcerias público-privadas, aumentando a frota automóvel dos organismos públicos, nomeando assessores, criando comissões de estudo e acompanhamento, concedendo mordomias a ex-presidentes da República e gestores públicos, não reduzindo o número de deputados, consentindo o despesismo e esbanjamento nas autarquias, atrasando a reforma da Administração Pública, etc., etc., etc..
Por exemplo, ainda há dias, a comunicação social referia que o Estado vai aumentar em 45 milhões a comparticipação aos partidos políticos e que as fundações continuam isentas do pagamento de IMI e IRC. Ora, este não é o caminho que conduz ao corte necessário na gordura do Estado e nos leva a pensar não ser vontade, nem intenção de quem governa emagrecê-lo, mas antes evidente desígnio de esmifrar os cidadãos como forma cruel de lhes negar a própria condição de seres humanos.
Porque, enquanto continuarmos a ver governantes, gestores públicos e dirigentes partidários e parlamentares a transportarem-se em carros de luxo e topo de gama, mais do que a gordura do Estado, o que primeiramente está em causa é uma requintada falta de vergonha, bom senso e caráter. O que nos leva a praguejar:
Porra, vai cá um a nortada!
Então, ate de hoje a oito.




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