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Autárquicas 2013: o xadrez partidário

Num momento em que tanto se fala de crise e as atenções estão todas, naturalmente, voltadas para a situação económica do país e das famílias portuguesas, importa diversificar os pontos de interesse e as matérias tratadas pela comunicação social. Introduzo desta forma o tema Autárquicas 2013. Parece que falta muito, mas é já no próximo ano que os bracarenses serão chamados a eleger os órgãos autárquicos do concelho. Não se sabe ainda com que mapa administrativo, ou seja, com quantas freguesias, mas há já pontos relevantes e desenvolvimentos que terão todo o interesse em ser acompanhados.

Ramiro Brito
24 Out 2012

Certo é que, de uma forma ou de outra, seja qual for o resultado que saia desse ato eleitoral, Mesquita Machado terminará o seu longo “reinado” à frente dos destinos da autarquia. Centrando-me apenas nos quatro partidos que estarão envolvidos na luta direta pelo poder, pode desde já assumir-se que a coligação será para manter. A verdade é que esta é uma oportunidade única e inédita para que as cores que se instalam na Praça do Município mudem de tonalidade. O PSD terá, certamente, Ricardo Rio à cabeça da tal coligação com o CDS/PP e o PPM. É a última oportunidade de este promissor candidato conseguir um resultado inédito e derrotar o Partido Socialista, pela primeira vez, numas eleições autárquicas. O CDS/PP terá sempre de “embarcar” nesta coligação, provavelmente sob as regras que o maior partido ditar até porque, ao longo destes últimos quatro anos, perdeu visibilidade e notoriedade local, não tendo qualquer condição rea-
lista para avançar sozinho. Por sua vez, o PPM é o eterno coligado do PSD em eleições autárquicas, em Braga, pelo que 2013 não será exceção.
Ponto de interesse para os lados da direita será perceber como vão ser formadas as listas de candidatos, que influência isso vai ter ao nível das candidaturas às freguesias e quais serão as novidades também a este nível, visto que muitos dos atuais presidentes de junta laranjas e azuis atingem aqui o limite estabelecido para os seus mandatos. Sem querer dar uma de Zandinga, arriscaria dizer que, pelo menos, um dos atuais presidentes de junta será “promovido” a homem forte da lista à Câmara Municipal não só pela visibilidade que conquistou ao longo dos seus mandatos, mas também pelo excelente exemplo que deu daquilo que deve ser o exercício do poder autárquico. É popular, é eficaz e duvido que haja críticas verdadeiras e de relevo que lhe possam ser feitas. Falo de Firmino Marques, presidente da Junta de Freguesia de S. Vítor que acredito vir a ter um papel fundamental num potencial executivo da Coligação Juntos por Braga. Faltará perceber quem irá ombrear a difícil tarefa de concorrer a esta freguesia estratégica do tecido urbano.
Do lado do Partido Socialista, as coisas não parecem tão óbvias. António Braga perdeu a concelhia e dificilmente conseguirá “virar o jogo a seu favor”, de forma a ganhar espaço para encabeçar uma candidatura.
Vítor Sousa é o vice-presidente da Câmara Municipal, o presidente da concelhia do PS e um dos elementos mais influentes do partido no concelho. Tem peso no aparelho, tem influência nas freguesias e tem currículo político. Mas nem tudo são rosas…Tem a sombra do processo relacionado com os TUB, aquando do exercício do cargo de administrador, que pode ser aqui um entrave a uma eventual candidatura, até porque será sempre uma arma de arremesso político de grandes proporções. Muito antes do julgamento da justiça, para quem exerce cargos públicos, há sempre o julgamento popular que, normalmente, é feito com base na espetacularidade das notícias.
Hugo Pires é o jovem mentor da Capital Europeia da Juventude, o super-vereador com muitos pelouros. É jovem, não pairam nuvens sobre a sua cabeça e foi uma aposta inequívoca de Mesquita Machado para este mandato. Pode ser o potencial candidato com menos currículo e até com menos peso político no partido, mas goza da “proteção” do socialista mais influente, o próprio Mesquita Machado. Não seria de todo descabido que o PS apostasse numa candidatura mais fresca e desinibida para lutar com uma coligação hiperpreparada e sedimentada pelos anos de oposição.
Fala-se nos corredores, e ainda em surdina, de um potencial candidato a correr por fora destes mais evidentes. Sinceramente, não acredito que será por aí. Acredito que a decisão final terá um cunho bastante vincado do atual edil bracarense. Aliás, acredito que, na hora da verdade, isso fará toda a diferença.
Mesquita Machado é, desde já, o grande vencedor, porque sai como o presidente imbatível, que nunca perdeu eleições e com a sua marca espalhada por toda a cidade de Braga. Teve nuvens, suspeitas, tremores de terra, sustos, mas nunca perdeu. Esse mérito ninguém lhe tira.
Por fim, cabe-nos a nós, meros eleitores, esperar pelas ideias, pelos projetos, mas, acima de tudo, por uma visão da cidade mais clarividente, menos cinzenta e, acima de tudo, que seja de rutura com o poder já agastado pelo tempo.




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