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Respect – O respeito do Sir Alex Ferguson

Hoje revivi vários momentos da minha vida enquanto adepto do Sporting de Braga. Estava eu a caminhar pelo centro da cidade quando percebi que me sentia a suar enquanto no meu pensamento corriam imagens da final de Dublin. Preferia lembrar-me do que podia ter acontecido e não do que efetivamente aconteceu. O Mossoró de frente para a baliza, levanta a bola por cima do guarda-redes e iguala a partida da final da Liga Europa!

Karl Donnelly
20 Out 2012

As minhas emoções começam a subir enquanto o meu cérebro começa a pensar no que teria sido a minha reação. Saltar, saltar, saltar aos abraços a toda a gente que me rodeia e sei lá, talvez chorar de emoção pelo golo do Braga! O resultado é irrelevante. O Mossoró não teve culpa nem nunca será culpabilizado. Lembro-me de vê-lo entrar em campo em Anfield contra o Liverpool nos últimos momentos do jogo. Mas a minha memória vai toda para a forma efusiva como celebrou no fim do jogo. Foi como se tivesse jogado 90 minutos e enquanto no banco de suplentes esteve sempre sentado na pontinha como quase pronto para invadir o terreno de jogo!
Quem gostei de reencontrar em Dublin foi o Wender. É impressionante como muitos jogadores que já saíram do clube ainda mantêm uma relação de proximidade com o clube e com a cidade. Com 37 anos, Wender continua a jogar futebol e já marcou 5 golos em 5 jogos pelo Aris Limassol de Chipre.
Encontrei-o duas vezes em Dublin e claro que ama o seu futebol. Celebramos em “futebolês” o facto de termos chegado à final, sim, porque com a minha pronúncia e com o sotaque dele não nos entendemos tão bem em português! Mas isto é futebol…
Jogadores e adeptos vivem necessariamente de maneira diferente o futebol.
Eu cheguei a casa todo suado a pensar no Mossoró a celebrar aquele golo que ele marcou em Dublin…
Quem não sente, não entende.
 Muita gente não percebe como é que perdemos o jogo contra o potencialmente menos forte Cluj no primeiro jogo da Liga dos Campeões e como depois fizemos aquele brilharete ao bater o Galatasaray na casa deles. Pouca gente saberá que o Galatasaray não perdia em casa para a Liga dos Campeões por 2-0 desde 2002, contra o Barcelona.
O Cluj é uma história diferente. Eles ganharam-nos como nós também ganhámos a tantas equipas nos últimos 3 ou 4 anos: futebol de contra-ataque.
É aquilo que nós também sabemos fazer. E mostrámos isso em Istambul.
O Manchester United é sem dúvida a maior equipa que defrontamos na Europa. Jogámos contra um Liverpool, um AC Milan e um Bayern de Munique mas sempre numa fase menos boa destas equipas. Desta vez é uma equipa de topo. Uma entre 5 ou 6.
E então? Temos medo? Claro que não!! Ganhámos respeito por essa Europa fora e ganhámos respeito com o resultado na Turquia. Alex Ferguson claro que vai querer ganhar mas também sabe que pode perder o jogo se não tiver muito cuidado. Não temos jogadores de 40 ou 50 milhões de euros, mas temos equipa, guerreiros que nunca desistem. Lutaremos sempre até ao fim para provarmos, uma vez mais, que estamos na Liga dos Campeões por mérito próprio. Qualidade é coisa que temos. E muita! Não teremos medo. Respeito apenas. E como todas as equipas que vêm jogar em Braga também eles sabem que não são favas contadas.
E quando o Sir Alex Ferguson entrar no nosso estádio vai perceber o porquê deste respeito europeu pelo Braga.




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