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Dor crónica

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura
A dor é a principal razão pela qual todos nós procuramos aconselhamento médico e, tanto quanto possível, especializado. Se na maioria dos casos se trata de uma situação passageira “água mole” – mais ou menos acentuada, noutros casos, desenvolve-se ao longo da vida, mais ou menos curta, e acaba por se estabelecer como crónica – “que fura”.

Filipe Antunes
20 Out 2012

A dor crónica é hoje entendida não como uma simples manifestação ou sintoma desagradável, mas como um conjunto de sinais e sintomas (síndroma) com repercussões na globalidade do indivíduo e implicações a nível das suas capacidades e funções (conceito atual de dor total).
Depende da experiência emocional passada e daí ser subjetiva, individual e não reprodutível.
Na medicina, a verdade mais insofismável é a de que “cada caso é um caso” e, no caso particular da dor, esta verdade torna-se ainda mais presente e real. Dor é o que cada um de nós experimenta e que acaba por expressar, de forma mais ou menos emotiva, de acordo com o conhecimento e perceção da situação vivenciada.
O desafio da abordagem da dor torna-se assim difícil, porque diferente e único.
Para responder e procurar atingir resultados, devemos assegurar a aplicação de todos os meios disponíveis, reduzindo ao mínimo as consequências nefastas da dor e facultando ao paciente a máxima utilização das suas capacidades funcionais.
Necessitamos, assim, de uma cobertura terapêutica mais abrangente, recorrendo a técnicas farmacológicas e não farmacológicas, de forma a aceder a um conjunto de práticas e saberes complementares no tratamento da dor.
Das primeiras destacam-se as substâncias ditas analgésicas, por atuarem diretamente (ao contrário de todas as outras substâncias químicas existentes) sobre o sistema nociceptivo responsável pela “gestão” da dor. Dentro destas, os medicamentos opióides são, sem qualquer dúvida, os produtos de maior evidência científica no tratamento da dor crónica. Embora ligados no passado a quadros clínicos mais graves, têm sido progressivamente adotados em diferentes situações de dor crónica (oncológica e não oncológica), pela sua eficácia e resultados obtidos. Para que tal tenha sucedido, foi (e continua a ser) preciso desbravar um longo caminho de mitos, dúvidas e incertezas que a sua utilização gera dentro e fora da própria comunidade médica, e que hoje deixou de fazer sentido, dada a diversidade e facilidade de obtenção de informação institucional e científica credível a seu respeito.
Entre as técnicas ditas não farmacológicas, as aplicadas pela medicina física e de reabilitação são tradicionalmente as mais conhecidas e procuradas como alternativas. Implicam diferentes meios e medidas de aplicação e são geralmente bem aceites, ainda que nem sempre completamente satisfatórios. As técnicas terapêuticas de cariz psicológico envolvendo a componente psicológica da dor, sempre mais ou menos valorizada por cada um de nós, são também hoje em dia uma das práticas mais comumente usadas e com resultados mais favoráveis.
Também a este facto, como aliás a toda a nossa existência, não é e nem será alheioa a absoluta necessidade de definirmos a estratégia motivacional como a verdadeira chave do sucesso na vida!




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