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Outro Ponto de Vista

Dois momentos que proponho de reflexão. No tempo que corre, de profundo descrédito, desalento e desânimo, sabe bem ver que, para lá da espuma breve do momento quotidiano, alguns outros, com uma postura mais espiritual, nos permitem ver mais além que o óbvio.

Acácio de Brito
19 Out 2012

No fim de semana que passou, como tem sido costume, o barulho dos manifestantes esteve presente. Não obstante, o ensurdecedor e perturbador silêncio de tantos na Cova da Iria é que deve contar. Perante um materialismo consumista que nos conduziu ao abismo, ao nada de coisa nenhuma, a espiritualidade manifesta de tantos abre-nos a possibilidade de tudo.
Estamos e vivemos num momento de crise, dramático para muitos, nomeadamente para todos aqueles que perderam o seu ganha-pão.
Todavia, o receituário e os mensageiros do costume, que não acrescentam nada de útil, e nesse sentido nem sequer deveríamos ser tomados no nosso tempo para ouvirmos dislates e disparates de quem tem sido, por ação ou omissão, responsável pelo atual estado de coisas, ruidosamente e de modo espalhafatoso fazem-se ouvir.
Os “media”, na sua ânsia devoradora, parece que nada mais têm para nos presentear. É pena! Mas, por isso foi lenitivo ouvir a mensagem de D. José Policarpo.
Não esconde a gravidade da situa-ção vivida, não esmorece perante as dificuldades, mas não propõe as facilidades ruidosas dos pantomineiros que, de profissão conhecida, ou são sindicalistas profissionais ou agitadores que pensávamos já serem parte de um passado recente a esquecer!
Um segundo aspeto desta nossa reflexão: o atual momento político, nomeadamente tudo o que se tem dito, imaginado e proclamado sobre a proposta de orçamento para o ano de 2013.
Estamos em tempo de emergência, de resposta a uma situação de bancarrota. Por isso, é um tempo que deve ser utilizado para uma atitude de parcimónia por parte dos principais agentes político-
-partidários, de maior estudo das razões que levaram e levam à necessidade do Governo a este estado de voracidade fiscal, para lá do habitual confisco, e que empobrecem aqueles que são motor económico do País.
É um momento de serenidade que permita a análise e estudo das verdadeiras funções que devem estar atribuídas ao Estado e não julgarmos que tudo cai do céu por obra e graça de coisa nenhuma.
Finalmente, deve ser um tempo em que se procure alterar este débil sistema que não permite as mudanças necessárias.
Se continuarmos a optar pela ausência de verdadeiras reformas, provavelmente colheremos os frutos amargos de indesejáveis revoluções.
O tempo é de ação, comprometida e propiciadora de um momento que seja outro – um tempo melhor para Portugal.




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