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No mundo da adrenalina

Esta semana no contexto desportivo foram notícia algumas atividades marcantes e super-radicais, entre as quais aquela em que Félix Baumgartner foi protagonista. O austríaco, de 43 anos, foi o primeiro homem a superar sozinho a barreira do som. Saltou a uma altura de 39.068 metros, à qual chegou numa cápsula puxada por um balão de hélio. Esta queda livre vertiginosa durou 4m e 19s e atingiu a velocidade de 1.341 Kms/hora. São números impressionantes que desafiam o limite humano.

Carlos Dias
19 Out 2012

Também a nossa seleção nacional de futebol, testou os nossos limites e mexeu com as nossas emoções, ao fazer duas exibições menos conseguidas. Com estes últimos resultados, os nossos jogadores prometem entupir os nossos corpos com muita adrenalina, porque nos obrigam a fazer contas radicais para o apuramento do mundial no Brasil.
Pela positiva, uma outra modalidade em destaque foi o surf, nomeadamente o Rip Curl Pro Portugal, que decorre na Praia dos Supertubos, em Peniche, porque alberga nesta bela praia portuguesa os atletas mais famosos da modalidade, provenientes de todo o mundo, entre os quais o campeoníssímo Kelly Slatter (10 vezes campeão do mundo).
Esta oitava etapa do circuito mundial do surf, teve alguns dias de espera, em face do mau tempo que se registou esta semana, mas em outros dias da prova teve mais assistência do que o jogo de Portugal-Irlanda do Norte, em futebol, e em que marcaram presença imensos estrangeiros.
Esta é a prova que existe mercado para além do futebol e que, esta franja de mercado, o desporto, pode bem ser uma fonte de rendimento para o nosso país, desde que bem coordenado com as melhores dinâmicas turísticas.
A esta modalidade também se poderão associar o golfe, o parapente e a canoagem, entre outras, porque o nosso pequeno país tem condições excecionais de prática.
Muitos dos melhores praticantes mundiais, destas modalidades, têm feito rasgados elogios às condições que encontram em Portugal, quer ao nível organizativo dos eventos, mas também às condições naturais e estruturais que possui.
O que eles não sabem é que nós, portugueses, temos muita experiência em atividades que apelam à adrenalina, pois estamos mais que habituados a viver com condições radicais. Estamos fartos de gerir “quedas livres” tão ou mais extremas do que o austríaco protagonizou, nomeadamente, nos nossos vencimentos.
Eles também nem sonham que nós, portugueses, somos especialistas em surfar em enormes “ondas de impostos”. O que eles nem precisam de saber é que estar associado à prática desportiva, qualquer que seja, em Portugal, é por si só uma atividade “radical”. Aguentar os custos não está fácil…
Segundo a revista Sábado desta semana, neste último ano acabaram 111 equipas seniores de futebol, em todas as 22 associações do país. Na AF Braga, segundo a mesma fonte, encerraram 12 equipas seniores, e só foi ultrapassada pela AF Madeira, em 14 clubes.
Apesar do elevado número de encerramentos de equipas seniores, a maioria dos clubes decidiu manter as equipas de formação, “até porque são os pais que, em muitos casos, pagam para os filhos jogarem”.
A maioria dos problemas de muitos clubes surge porque o financiamento municipal diminuiu drasticamente e as contas das bilheteiras não chegam para a despesa com o policiamento. Na Madeira, por exemplo, por falta de financiamento do Governo Regional, o campeonato da 3.ª divisão está suspenso.
Definitivamente, todos os agentes, mas mesmo todos, devemos refletir (rapidamente) e tentar encontrar soluções e um caminho para o desporto nacional. São necessárias medidas globais urgentes, porque se assim não for arriscamo-nos a ser todos engolidos por esta onda.
carlos.dias03@gmail.com




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