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Desemprego e soluções para jovens enfermeiros

Falar em desemprego na enfermagem e encontrar soluções para jovens enfermeiros pressupõe uma análise/reflexão sobre a conjuntura atual do país nas questões de regulação, quer do mercado de ensino de enfermagem quer do mercado de trabalho na área da saúde. Numa década, a formação de enfermeiros passou de um deficit a um excesso da oferta, sem o devido equilíbrio entre esta e a respetiva absorção pelo mercado.

Enf. Jorge Cadete
19 Out 2012

De facto, há doze anos, atrás abriam-se processos de admissão para enfermeiros nos estabelecimentos de saúde e as vagas não eram totalmente preenchidas. Assistia-se a um mercado de trabalho carenciado. Perante essa situação, as escolas superiores de enfermagem viram uma oportunidade de aumentar o número de alunos e de cursos, por ano, e assistiu-se a um novo paradigma no âmbito da formação de novos enfermeiros, com a abertura de cursos de enfermagem por outros estabelecimentos de ensino, como escolas de saúde, universidades e institutos politécnicos.
Não houve a preocupação de regular a oferta formativa com a
realidade de respostas do mercado de trabalho nacional. Adicionado a essa situação, passámos a estar confrontados com uma conjuntura económico-financeira nacional e europeia grave, que implicou fortes constrangimentos orçamentais. Essas medidas passaram, essencialmente, pela diminuição de despesa pública, com reflexo na capacidade de absorção de recursos humanos. As organizações de saúde, públicas e privadas, rapidamente adotaram procedimentos de retração na contratação e de dispensa de trabalhadores com vínculos precários.
Porém, convém não esquecer que os dados disponibilizados pelas diferentes entidades oficiais nacionais e europeias, dizem-nos que existe no País um rácio enfermeiro/
/mil habitantes de 6,1, o que configura um claro deficit relativamente àquele que é proposto pela OCDE, que se cifra em 8,7. Basta auscultarmos os enfermeiros nos diversos contextos da sua prática clínica, quer das organizações públicas quer privadas, para obtermos a confirmação dessa evidência de subdotação nos serviços.
A emigração tem sido a solução mais utilizada nos últimos tempos (na SRN, cerca de 900 pedidos de declarações, em 2012). As razões são óbvias e aceitáveis, porque o jovem enfermeiro necessita de trabalhar, organizar a sua vida pessoal e não quer perder competências profissionais, que a inatividade coloca em risco. Consultem a Ordem dos Enfermeiros (OE) e outras organizações de credibilidade reconhecida, para serem salvaguardadas as medidas de cautela e de reserva nos processos de emigração.
Como representante da OE e enquanto presidente da Secção Regional do Norte (SRN), preocupa-me toda esta situação de compasso e eventual estagnação dos jovens enfermeiros. Para minimizar alguns dos efeitos inerentes à situação, principalmente o afastamento de contextos formativos e de alguma desatualização profissional, a SRN tem realizado, e vai continuar a realizar, algumas atividades formativas, internas e externas, de temáticas diversas, disponibilizando-as de forma gratuita aos membros desempregados.




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