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Um clube/empresa a crescer

Tendo em vista a sua apreciação na Assembleia-Geral de Accionistas que terá lugar no próximo dia 26 de Outubro, o Conselho de Administração da Sporting Clube de Braga – Futebol, S.A.D. (SCB, SAD) tornou agora público o Relatório e Contas desta sociedade relativo ao exercício 2011-2012. De entre os dados financeiros apresentados, e num contexto em que vemos as principais colectividades desportivas nacionais mergulhadas em significativos prejuízos, a SCB, SAD destaca-se por registar um resultado líquido positivo pelo terceiro exercício consecutivo (sendo que nos dois últimos chega a ultrapassar os 5 milhões de Euros).

18 Out 2012

De notar aqui que, se a principal fonte de receita no exercício 2010/2011 foi decorrente da participação em competições – nomeadamente a Liga dos Campeões – com um valor que ultrapassou os 18 milhões de Euros, o exercício agora em apreço assentou no bom desempenho financeiro na alienação de passes de alguns dos atletas da sociedade.
De um ano para o outro, assinale-se também uma quebra de mais de 50% nas receitas de bilheteira, as quais se cifram em 2011/2012 em pouco mais de meio milhão de Euros, o que representa apenas 3,8% dos Proveitos Operacionais e menos de 2% dos Proveitos totais da SCB, SAD.
Neste particular, e do ponto de vista estratégico do Clube, SAD e da sua relação com a massa adepta, sustenta-se a lógica de promover o acesso gratuito/a baixo custo a muitos dos jogos, por via do efeito mobilizador de novos apoiantes, tendo até em conta o reduzido impacto das receitas possíveis de bilheteira nas finanças globais.
Ainda em relação aos dados referidos, note-se que a SCB/SAD parece estar a encetar um ciclo virtuoso em que ao bom desempenho desportivo – demonstrado pelos feitos alcançados nas diferentes competições nacionais e internacionais – se associam os bons resultados financeiros, seja em termos de rendimento directo (como em 2010/2011) ou da valorização/alienação dos activos (como em 2011/2012).
De destacar também que pese embora a duplicação do passivo (de cerca de 14 para 29,5 milhões de Euros), parte substancial desta variação se explica precisamente pelas transacções efectuadas e pela necessidade de ressarcir os detentores de parte dos passes em causa. Assim, em correspondência directa com este incremento, também o activo da SCB, SAD cresceu cerca de 20 milhões de Euros, muito por força das dívidas de terceiros.
Em sentido contrário, o aumento do passivo bancário, de 3,2 para 7,4 milhões de Euros assumiu-se como uma aposta bem sucedida, mas de risco, que requer a continuidade do bom desempenho desportivo e da referida valorização/alienação de activos para garantir a sustentabilidade da SCB, SAD.
Para o futuro, creio que uma questão que deve merecer uma cuidada reflexão se prende com a relação entre a Sociedade e o seu principal accionista: o Sporting Clube de Braga.
Assim, o Clube deve beneficiar financeiramente de parte do bom desempenho da sua participada, de forma a que possa assegurar a continuidade do eclectismo que sempre o caracterizou e a evitar episódios menos prestigiantes como o que acaba de acontecer com o atletismo.




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