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A recuperação dos verdadeiros valores humanos (29)

Os mistérios da vida
A vida humana está rodeada de mistérios. Eles cercam-nos por todos os lados, mas não nos devemos impacientar com isso. Os mistérios aparentemente simples da vida são complexos e combinam-se de muitas maneiras, de modo que, ao convivermos tanto com eles, nem os distinguimos. Não é possível provar nem definir tudo. E isso também não faz falta para sermos felizes. Cristina Rossetti escreveu: “Quem viu o vento? Nem eu nem ninguém… Mas quando as árvores se inclinam… O vento passando vem.” Admito que muitos desses mistérios são insondáveis.

Artur Gonçalves Fernandes
18 Out 2012

No entanto, o mistério não é um argumento contra o facto em si. Se o fosse, estávamos na verdade bem arranjados. Não temos o dom de saber tudo e desvendar todos os mistérios. A “coisa” misteriosa existe mesmo sem a desvendarmos. Se nós não podemos explicar o âmago do mistério, também ninguém é capaz de deduzir argumentos que neguem a possibilidade da sua existência. “A coisa mais bela que podemos sentir é o misterioso. É a fonte da verdadeira arte, ciência e religião” – afirmou Albert Einstein. O homem moderno quer saber o porquê de tudo o que aceita. Mas ele tem que admitir que, mesmo no universo, há tanta coisa que ele desconhece e desconhecerá, por mais que a vida humana se prolongue neste mundo. Nós nem sequer somos capazes de explicar totalmente muitos dos valores reais da vida, tais como o amor, a beleza, a verdade, a amizade, entre outras, pois, embora sejam “coisas” estáveis como muitas outras, temos de nos limitar a experimentá-las e vivê-las o mais adequadamente possível.
Há, porém, um ponto facilmente atingível: é que tudo começa e termina em mistério. O filósofo espanhol Santayana dizia que “O homem não é feito para compreender a vida, mas para a viver”. Uma grande lição que muitos precisam de aprender é a de que a falta de capacidade para pensar totalmente bem sobre todas as coisas ou de compreen-
der plenamente os problemas não deve afastar ninguém de viver ativamente a sua existência. Nenhum cientista, como tal, é capaz de garantir que os nossos sentidos não nos enganam. Apenas o filósofo poderá dar uma ajuda, mesmo que modesta e limitada. Não há nenhuma ciência sem mistério, tal como também uma religião sem mistérios é completamente absurda.
Porém, para não tornar a ideia de mistério alarmante, devemos acrescentar que muitos mistérios são científicos. O único tema em que todos os cientistas são eloquentes e o único traço de emoção permanente em todos os seus escritos, palestras e pensamentos, dizem respeito a essa incerteza final e a essa profunda escuridão que limita, por todos os lados, o seu trabalho. “O homem não nasce para descobrir todos os enigmas do universo, mas para descobrir o que tem de fazer; e para se manter dentro dos limites da sua compreensão” – escreveu Goethe.
As conquistas científicas, tecnológicas e de pesquisa espacial têm sido enormes e de relevantíssima importância para a humanidade, mas são apenas uma insignificante gota de água, quando comparadas com o imenso manancial de coisas desconhecidas no universo infinito que nos abarca por todos os lados. E, mesmo assim, o homem esquece–se que o verdadeiro espaço a conquistar se situa dentro da sua própria consciência. O feito mais notável de cada homem continua a ser a viagem através do seu espaço interior. O dia da maior aventura científica do homem será sempre aquele em que rume para dentro de si e aí faça as maiores e mais importantes descobertas.
A vida não constitui enigma algum para quem trava amizade com Deus. Tal como a metáfora ou parábola de Job significa, essas pessoas não têm dificuldades em acreditar que a vida prossegue sob a proteção divina. Lincoln fala de Deus como “um sócio comanditário da nossa empresa nacional”. De facto, o pensamento mais elevado que cada um de nós pode ter é, sem dúvida, este: “Deus interessa-se por mim”.




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