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Sinais proféticos da (nossa) república laica!

As comemorações oficiais – à mistura com outras oficiosas e ainda as pretensamente insidiosas – do dia da implantação da República (5 de outubro) trouxeram, no passado recente, alguns sinais que deveriam ser mais aprofundados, antes mesmo de serem, conjunturalmente, explorados: a posição da bandeira nacional na hora de ser hasteada, o local escolhido para o evento, as notas de partidocracite, as presenças e as ausências e tudo o mais que, por ser simbólico, não poderá ser tratado como mero combate de forças obscuras e subterrâneas, mas, antes, deve ser trazido à luz aquilo que pela luz precisa de ser iluminado, urgentemente.

15 Out 2012

= Desde logo, Lisboa foi o palco das comemorações. Tudo o que aconteceu é da autoria exclusiva da edilidade. Ora, não foi isto que se viu nem na forma e muito menos no conteúdo. Valha a referência, posterior nos dias e menormente noticiada, às desculpas do presidente da câmara ao assumir que a bandeira nacional foi hasteada invertida: a culpa é dele! Quando quiseram ler naquele incidente uma profecia sobre o estado do país, quem estava bem intencionado ou quem se tornou oportunista do desgraçadismo? De forma invertida, muita coisa pode ser convertida, mas, quando há má fé, de pouco adiantará o barulho produzido, mesmo que seja mais audível a dos animais da guarda de honra oficial!

= Empurraram as (ditas) comemorações para um designado ‘pátio da galé’ – será presságio de novos embarcados sem regresso? – mas os múltiplos e luzidios comemorantes eram vistos como convidados, onde não faltou quem quis aparecer ou quem esteve ausente e se quis fazer notado. As intervenções foram de teor simbólico: um pelo lugar que ocupa, outro pelo lugar que almeja; um com discurso anódino, outro com os desejos de protagonismo; um sem chama nem futuro, outro flamejante de aspirações e outros tantos ódios de estimação; um com provocações (pretensamente) ocasionais, outro com aplausos de conspiração; um de corda ao pescoço, qual Egas Moniz da idade atual, outro com colar jacobino de grande edil e com pétalas de herói foragido; um com ar pesado e cúmplice na desgraça nacional, outro com ar sobranceiro de soslaio como quem vai flutuando sobre uns tantos nenúfares da tortulhocracia reinante, agora e num futuro próximo!

= Dizem que foi, por algum tempo, a derradeira comemoração da efeméride da implantação carbonária da república em Portugal. Há quem concorde, há quem discorde, mas a maioria foi usufruindo (ou gozando) de um feriado que já pouco ou nada diz à maioria da população. Nos campos – onde ainda se trabalha – cuidava-se das últimas colheitas. Nas cidades – onde uns tantos se dizem mais alfabetizados – descansa-se e pouco diz essa tal de ‘república’, pois parece-lhes, antes, uma matrona decrépita e ao sabor da reforma insuficiente para amparar filhos e enteados. Só alguns mais inteletuais – com denominação laica, republicana e ainda socialista – sentem a obrigação de se pronunciarem com uns tantos dislates de ocasião, nem que seja só entre apaniguados e simpatizantes de circuito fechado e com amplificação encomendada!

Mesmo que de forma simplista, perguntamos:
– Para quando a implantação da IV República? A primeira caiu de podre e com inúmeros traidores sacrificados; a segunda foi ultrapassada e fez-se perseguidora de certos combatentes fugitivos; a terceira está prenhe de relapsos, sob as oportunidades perdidas e com benefícios e beneficiados em proveito egoísta.
– A bem da Nação, cuidemos de defender as possibilidades de a república não ser uma ditadura, onde uns tantos – ideológica e socialmente – ganham sempre, pisando quem não pensa como eles, nem que desgastem os adversários com mentiras e suspeitas até sucumbirem pela exaustão!
– A bem da Nação, cuidemos em cercear com veemência os tentáculos desse polvo que tenta impor-se à custa da perseguição e do aviltamento dos mais frágeis e dos continuamente fragilizados, atendidos em maré de eleições e logo esquecidos na esquina mais imediata!
Será, afinal, esta república democrática ou, antes, uma promoção oligárquica dos medíocres?




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