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O 5 de outubro e a educação

Como professor que já fui, não posso deixar de assinalar a referência merecida a todos os professores no discurso do dia 5 de outubro, do sr. presidente da república. Depois de Lurdes Rodrigues, as palavras por ele proferidas são o bálsamo na ferida. A educação é um ato holístico em que as partes isoladas pouco valem e em que o todo é uma força do presente com projeção no futuro. Disto não há dúvidas.

Paulo Fafe
15 Out 2012

A educação é o pilar primeiro de qualquer desenvolvimento, assim está reconhecido por todos, assim o querem governos de várias latitudes. Ensinar é fazer caminhar antes de voar. Sem pés que calquem bem as estradas de saberes de outros, não são possíveis os voos da imaginação, nem os trilhos da inovação. Quem prepara uns e outros é a escola e, quando nela falo, falo dos pais, dos alunos, da comunidade e, evidentemente, dos professores.
Por isso não percebo o divórcio que se pretendeu criar entre pais e professores. A desvalorização dos professores foi e é suporte de desvios comportamentais dentro da sala de aula. Tudo isto sucedeu no passado e, infelizmente, perdura no presente como erva ruim que o tempo não secou. Tudo continuará a suceder se a comunidade envolvente, no seu todo, não souber agir com repúdio contra a degradação da imagem dos professores. Todos juntos poderemos vencer. Divididos, nem as forças dos exércitos mais poderosos e arduamente treinados ganham batalhas.
A educação é a batalha contra o analfabetismo, contra a ignorância, contra a pobreza material e de espírito, contra o conformismo, contra a verdade imutável, contra o imobilismo, contra a ditadura, contra a violência, contra os dogmas, e a educação é assim porque é pensamento em discussão e são armas que preservam a identidade de cada um. É na escola que se faz tudo isto, diretamente pelos professores e indiretamente pela socialização, mas se à escola chegam crianças e adolescentes predispostos a hostilizar os professores porque em casa ouvem dizer deles o pior; se estas crianças e adolescentes trazem já como desculpa o beneplácito dos pais para terem comportamentos desviantes; se estas crianças e estes adolescentes sabem, desde logo, que o paizinho e a mãezinha vão tirar satisfações aos professores por os repreenderem pelo seu comportamento menos correto, então o arbusto cresce torto porque a estaca não é ereta.
Na verdade, enquanto arbusto, tudo é projeto de árvore frondosa. Enquanto criança, tudo é projeto de homem de bem. Depois, tudo depende da estaca que os ampara. A educação precisa do professor, mas este está para a educação como o semeador está para a sea-ra. Se a semente não é boa, pouco ou nada adianta encontrar terra bem arada. É em casa que se faz a boa semente. Como reagirão os filhos de uma família que ouvem dizer mal dos professores?
Nós sabemos como é bem fácil imitar o mal. As crianças chegam aos bancos da escola com seis anos de “educação” e não na estaca zero. Não adianta preencher os falhanços escolares dos filhos com a desculpa nos professores. Quando um aluno diz mal de um professor é preciso deixar ouvidos para o contraditório. A educação não é um circunstancialismo, é um constructo em comportamentos. Os filhos necessitam de assumir que faz parte de uma educação lutar pelo melhor porque ali começa o futuro. Se assim não for, de nada adianta dar poderes disciplinares às escolas, fazer estatutos mais ou menos rigorosos do aluno, ter associação de pais e alunos, reuniões de pais e encarregados de educação. O  que está torta não é a sombra. O que está torta é a árvore.




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