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A luta da esquerda é para o caos social

Portugal continua a caminhar, a passo acelerado, em direção à ingovernação. E para adornar mais o cenário de catástrofe à moda grega, convocam-se, a toda a hora, manifestações político-sindicais que vão alimentando, com demagogia, as máquinas dos partidos das nossas esquerdas radical e retrógrada. Estas esquerdas embebedam-se e excitam-se com o ruído produzido pela turba de gente em desespero que alinha neste “espetáculo” de revolta pela situa-ção a que o país chegou.

Armindo Oliveira
14 Out 2012

Do meu ponto de vista, as manifestações servem também para lavar más consciências e irresponsabilidades dos causadores desta trapalhada económica e financeira em que vivemos. Para o partido e para a gente que nos desgovernou, nestes últimos anos, vem mesmo a calhar passar uma esponja pelo passado e fazer de conta que nada aconteceu de anormal. Afinal, tudo não passou de uma série de equívocos e de aldrabices engendrados por esta “Direita governativa”, revanchista, imoral e insensível, perante o drama dos portugueses.
Não se pode consentir que se tente apagar o descalabro governativo de Sócrates e do partido que o apoiou, até para servir de exemplo a outros maus políticos que tenham a “coragem”, para não dizer a distinta lata, de assumir cargos para os quais não têm a mínima competência.
Veicula a esquerda das manifes a mensagem que o Governo de Passos Coelho é o destruidor do Estado Social, o causador dos cortes na Saúde, na Educação e nos salários. É o responsável pelos pesados sacrifícios exigidos, pelo aumento desmesurado dos impostos e pelo Estado depauperado das economias familiares. Esquecem-se que as dívidas monstruosas contraídas pelos governos anteriores não são para pôr no rol dos calotes, nem para se pagar no dia de São Nunca à tarde. Os credores exigem o retorno do dinheiro emprestado com juros insuportáveis que se tornam um pesadelo para a frágil e dependente economia nacional. O problema é real e está a ser bem sentido na pele pela maioria dos portugueses. A verdade é que existem contas para pagar e compromissos firmados para cumprir. Portugal tem que se comportar como um país sério e credível. Ou seja, pedimos dinheiro, temos que o pagar; assinámos acordos, temos que os cumprir.
Não é com manifestações nem com greves que se irão resolver os buracões que a classe política escavou nestes anos de democracia. Não foi esta a classe política que engordámos e a quem demos o nosso aval para gerir o nosso dinheiro? Não foi este o país que eles construíram com a nossa complacência?
O ambiente político-social é, neste momento, de grande efervescência. Os dirigentes sindicais da esquerda retrógrada arrogam-se ainda ameaçar com paralisações gerais e setoriais, elevando os níveis de tensão psicológica aos limites da confrontação e da confusão generalizada. Até a polícia se junta ao molho, alinhando neste jogo perigoso que pode descambar para uma realidade que ninguém deseja. Só lá falta ver os nossos distintos deputados, as altas figuras do Estado, os ex-governantes de Sócrates e as chefias militares com cartazes a dizer: ”Estamos a ser roubados pelo governo de coligação PSD/CDS/Troika!”. Só agora é que os manifestantes notaram que estão a ser roubados há muitos e muitos anos.
A realidade não engana ninguém: uns, descontentes e injustiçados, sentindo na pele as agruras da incompetência de uma classe governante, central e local, que brincou com o poder, com o dinheiro dos contribuintes e dos credores e com as esperanças de quase todos os portugueses; outros, arrebanhados e instrumentalizados, vão para a “frente da batalha” para semear o caos social, tentando paralisar a economia e afrontar a democracia. Querem o Governo e a Troika no olho da rua, quando o necessário é resolver problemas, serenar os ânimos e sobreviver até que o investimento apareça para criar os postos de trabalho tão desejados.
O país está uma lástima e o atual Governo, com toda a legitimidade sufragada nas urnas, não tem sido devidamente competente para inverter a trajetória do descalabro financeiro, nem para suster o movimento de revolta que existe na sociedade. O Governo de coligação está a claudicar na sua ação, porque, em devido tempo, não atacou o monstro do despesismo, nem procedeu à substituição dos ministros que davam sinais claros de desgaste, de incúria, de incapacidade. Não se percebe bem, por que as remodelações têm conotação negativa. Quando um ministro ou qualquer outro membro do governo estiver a fraquejar ou não corresponder às exigências, a sua substituição tem que ser imediata e encarada como facto político normal. É um disparate completo manter um ministro falhado em funções, só para dar a entender que existe coesão e solidariedade políticas. A teimosia e a falta de discernimento pagam-se caro, principalmente nestes momentos de crise profunda.




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