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Pense nisto, sr. 1.º Ministro

Tem sido recorrente, até porque nos mexe nos bolsos, assumir discordâncias pelas recentes medidas governamentais no que se refere ao défice e à forma de o combater. Por parte do Governo, mesmo contrariando todas as promessas efetuadas em campanha eleitoral, o combate tem sido feito através de um aumento descarado de impostos e de uma diminuição de salários, sob as mais encapotadas formas, desde o IVA ao IRS, passando pelas deduções fiscais e IMI.

Carlos Mangas
13 Out 2012

Ou seja, comparando o Governo com a administração de um clube de futebol, é assim a modos como se este, para diminuir o passivo, aumentasse o preço das cotas e dos bilhetes, o custo das inscrições para as crianças praticarem desporto ou o preço das viagens para acompanhar o clube, no país ou no estrangeiro. Isto leva-me a pensar se o nosso país gerido como um clube de futebol não teria mais sucesso. A resposta só pode ser uma: depende do clube.
A exemplo de todos os outros, o Sporting Clube de Braga (SCB) também tem passivo, o qual, se não for devidamente controlado, pode levar à falta de verbas para pagar ordenados e à impossibilidade, se não forem cumpridas as normas mínimas, de participar em provas europeias. No entanto, de há uns anos para cá, no final da época, feitas as contas, o clube tem atingido com sucesso, objetivos desportivos e financeiros e na UEFA até foi reconhecido em 2011 como o clube que mais evoluiu. No entanto, para atingir estes objetivos, não aumentou cotas, nem preços de bilhetes, nem custos para a prática desportiva das crianças e jovens. Em suma, não colocou “o seu povo” a pagar a crise, porque como pessoas inteligentes que são, sabem que “sócio que é sócio” (parafraseando um adepto de outro clube) revoltar-se–iam contra o clube, deixariam de pagar cotas, de assistir aos jogos, de colocar as suas crianças a praticar desporto e de terem sequer o pensamento de acompanhar o clube em qualquer deslocação, no país ou no estrangeiro.
O primeiro-ministro aconselha os portugueses a emigrarem, o SCB não aconselha ninguém a emigrar, mas quando se conjugam vontades, tal pode acontecer e é mais uma forma de dar visibilidade ao clube no estrangeiro. Por exemplo, neste momento, quem lidera o campeonato na Grécia é o clube que tem o nosso treinador da última época, e o Corunha, que participa numa das melhores Ligas do mundo, tem, entre outros, portugueses (Bruno Gama e Pizzi) formados no nosso clube. Tudo isto contribui para aumentar a credibilidade interna e externa. Apesar das exportações, consegue manter uma aposta firme e séria “no produto nacional”, ou não fosse nestes últimos tempos o clube com mais atletas convocados para a seleção das quinas. Para além disso, quando é apurado “para cimeiras” com os melhores clubes estrangeiros, também não deixa os créditos por “pés” alheios como mostrou recentemente na Itália e Turquia. Como se consegue isto?
Antes de mais, não desprezando o maior património que qualquer clube, ou país, pode ter e sem o qual nada tem sentido, as PESSOAS, pois são elas que sonham, trabalham e produzem importantes mudanças na sociedade. Depois, é (ou parece) fácil, todos imbuídos de um mesmo espírito e tendo como preocupação principal, trabalhar para o bem e benefício comum, e não apenas em seu próprio benefício.
Quem sabe, pois, o segredo não esteja no trabalho de “inúmeras formigas” no fundo de uma pedreira, que não cantam como as cigarras, mas encantam com a qualidade e visibilidade do trabalho que produzem.
Pense nisto, Sr. 1.º Ministro.




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