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Praticar desporto sem esquecer a “Escola”

São inúmeros os estudos realizados sobre a integração e enquadramento da educação física e das atividades desportivas em todos os níveis de ensino. As vivências extracurriculares e curriculares de âmbito desportivo e o rendimento escolar são abordados em vários estudos, nomeadamente na relação entre a atividade desportiva e o seu impacto no rendimento escolar.

Fernando Parente
12 Out 2012

Destes estudos, são quase sempre observadas características positivas nos estudantes que se dedicam de uma forma regular à prática de atividade física e ao desporto. Em regra, os estudos já realizados, também comprovam que existe uma associação positiva entre a frequência de outras atividades extracurriculares e o rendimento escolar. A prática desportiva faz parte de uma listagem identificada pelos investigadores destas matérias, que influencia diretamente de forma positiva a persistência e sucesso nos estudos. Juntamente com a atividade desportiva também se encontram atividades como: assistir a eventos culturais, conversas sobre os objetivos institucionais em contexto proporcionado pelas escolas e universidades, trabalho em grupo, assistir a congressos e palestras, debater com os colegas os problemas do dia-a-dia, trabalhar em estruturas do próprio estabelecimento de ensino, sociabilização com colegas de outros turmas e cursos e mesmo conversas sobre temas estudados e sua aplicação prática no domínio laboral e social.
O nível de persistência nas tarefas, a autodisciplina e a concentração são algumas das referências positivas que se encontram em grande parte dos trabalhos e quando estas características são passadas para o domínio dos estudos, atingem elevados níveis de rendimento escolar.
De uma maneira geral, é então sabido e consensual entre os autores “academicamente consagrados” que se dedicam a este âmbito de estudos, que as atividades desportivas promovem positivamente a integração escolar e o seu sucesso. A atividade física e desportiva não impede os estudantes de obterem bons resultados nos estudos e um bom desempenho académico global, nem tão pouco é inibidor de participarem em mais atividades sociais com os restantes colegas da sua escola.
No entanto, também existem estudos que mostram que a relação poderá não ser assim tão linear. Quando se emprega “excessivo” tempo na atividade desportiva, estando este ligado a estágios prolongados de preparação fora do ambiente escolar, esta pode afetar de forma negativa o rendimento escolar. Este facto é também muitas vezes provocado porque coloca exigências acrescidas de vida social e de lazer aos estudantes. Claro que estamos a falar de atletas em percurso, ou já, num patamar de alto rendimento desportivo. Nestes casos, é necessário que os clubes, federações, os seus treinadores e dirigentes, percebam que antes do atleta e do resultado a todo o custo, está a “pessoa e o estudante”, devendo salvaguardar-se um percurso estável nos estudos porque é um instrumento fundamental para garantir um futuro de maior estabilidade ao praticante desportivo.
Para os pais, educadores e treinadores é fundamental perceber que o importante é manter uma atividade dupla e em benefício do estudante praticantes, sabendo que a atividade física e desportiva potencia o rendimento académico e que o “focus” no resultado é muitas vezes perturbador e inibidor de um futuro e integração social de muitos jovens que demonstram desde cedo apreciadas qualidades em determinadas disciplinas desportivas.




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