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Capital Europeia da Velhice

Desenganem-se aqueles que pensam que venho aqui atacar alguma geração em particular. Em boa verdade, nos tempos que correm, não o faço tanto porque não acredito em culpabilizar gerações, como também porque não aceito criar mais instabilidade do que aquela que existe neste momento.

Orlando Vilas Boas da Silva
12 Out 2012

Eu creio na solidariedade entre gerações. Pois que melhor exemplo posso dar que o da família? Enquanto jovens, precisamos dos nossos pais para cuidarem de nós, e dos avós para nos transmitirem aquela sabedoria que só uma boa vivência aliada a uma intensa experiência de vida pode perpassar. Mas também eles precisam de nós naqueles momentos em que a biologia humana os começa a trair, e aqueles que dantes eram conhecidos começam a desaparecer. Nesses momentos de solidão, estamos lá nós como filhos e netos para os apoiar, porque a solidariedade é isso mesmo, ajudarmo-nos uns aos outros nos momentos de maior afogo. 
No entanto, os jovens são a força e o futuro de uma nação, e é nessa medida que lhes venho aqui dar foco. A Capital Europeia da Juventude (CEJ) em Braga tem sido um opróbrio quando comparada com todas as cidades que tiveram a honra de receber este projeto. Antuérpia, na Bélgica, foi em 2011 palco desta iniciativa promovida pelo Comité das Regiões e do Fórum Europeu da Juventude. Uma das propostas mais emblemática foi o Serviço de Voluntariado Europeu (SVE) que se traduziu numa imensidão de ideias levadas a discussão por jovens de toda a Europa. Contou com questionários que abrangeram todos os setores transversais que pautam a atividade de uma sociedade, como forma de auscultar as suas vontades. A ajuda do Comissário responsável pela educação, cultura, multilinguismo e juventude, Androulla Vassiliou, culminou numa pesquisa sobre como os jovens gostariam de iniciar os seus negócios, o seu envolvimento no desporto, bem como a participação em atividades voluntárias e internacionais. Levaram a debate temas como a qualidade do ensino superior, mobilidade, transição para o emprego e empreendedorismo. 
O que podemos depreender é que a Organização da Capital Europeia da Juventude em Braga, pelas mãos do Partido Socialista, está a falhar em toda a linha. Vemos alguns eventos como festas, concertos e outros que tais, mas nada que augure alguma esperança no horizonte próximo. Num tempo de dificuldades económicas, vejo-os a perderem tempo com algo tão inútil, quando deviam trazer para a cidade a discussão desta conjuntura. O que vejo é promoverem iniciativas para os jovens em vez de lhes darem a palavra, palavra essa que devia servir para conhecer uma realidade. O que vejo, e daí a epígrafe, é uma organização sentada na cadeira da rotina desgastada pelo tempo que lá perdura. O que vejo é o edil Hugo Pires a atuar sob a égide do Eng.º Mesquita Machado. O que vejo é uma figura gasta pelas barbas das horas a achar que percebe os jovens. Acontece que quem já lá está já nada tem que fazer, mas quem por aqui ainda anda deve lutar pelo aperfeiçoamento de toda uma geração. E aqui só posso culpar toda uma sociedade hedonista, incapaz de se transformar.
Este não é um problema geracional, é um paradigma cultural a clamar por ser alterado. O momento para começar é já, e no próximo ano é a altura indicada para trazer mudanças a esta grande cidade feita de grande gente.




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