Fotografia:
Uma estranha forma de falência

Dizem que o Sporting está em falência técnica. Se desportivamente anda muito mal (em relação aos objetivos que todos os anos traça) no aspeto financeiro então nem se fala. Como bracarense nada tenho a ver com isso e nem sequer sou daqueles que gosto de rir da desgraça dos outros. Como apreciador de futebol, no entanto, desejo que o Sporting recupere porque o futebol português não precisa de mais crises; já basta o país real.

Manuel Cardoso
11 Out 2012

A verdade é que aquilo anda mal para os lados de Alvalade. No entanto, começo a pensar que no futebol como no país real esta coisa da crise às vezes até parece conversa fiada. Pelo menos para alguns. Por todo o lado continuamos a verificar que há quem viva “na maior”, como dizem os brasileiros. E também no Sporting parece que a crise não é geral. Digo isto a propósito da surpreendente avalanche de treinadores que se têm praticamente oferecido para treinar o clube. Parece que ninguém tem medo da tal falência técnica e até Scolari, que todos sabemos ser um técnico muito bem pago, já “fez olhinhos” ao Sporting. Tanto quanto julgo saber, os leões continuam a pagar a Domingos Paciência, uma vez que está sem clube e o contrato ainda está em vigor; vão continuar a pagar a Sá Pinto, porque permanece em Alvalade, assim como a Oceano. Agora parece que vão ter de puxar ainda mais pelos cordões à bolsa, porque já afirmaram que procuram um treinador de créditos reconhecidos.
Tal como escrevi acima, como bracarense, não me preocupo muito com isto, mas acho que tenho o direito de me preocupar como adepto de futebol. Tal como no país real, também no futebol há quem continue a viver muito acima das possibilidades. Onde é que isto irá parar? Não sei, mas faço votos para que não apareça em breve por cá nenhum caso idêntico ao do Glasgow Rangers.
Os sportinguistas que me perdoem mas quem se arvora de ter (e tem) uma magnífica escola e escalões de formação exemplares, custa a compreender como o clube continua, sistematicamente, a olhar para o mercado externo. Não compreendo (e isto aplica-se também a outros clubes autointitulados “grandes”) como se continuam a pagar fortunas a jogadores estrangeiros de qualidade duvidosa e de idade mais que “madura”, enquanto se despacham os jovens valores para empréstimos a clubes de dimensão inferior, onde muitas vezes se perdem ou desvalorizam (veja-se os casos de Salomão e André Santos, por exemplo). Dirão os meus amigos sportinguistas que eu, bracarense convicto e confesso, não tenho nada com isso. E não tenho. No entanto, ninguém pode negar que isto é mau para o futebol português. É péssimo. Não é assim que se combate crise nenhuma. Isto digo-o eu que não percebo nada da matéria. É normal que os empresários e dirigentes que engordam à custa destas transações saibam mais que eu, que não ganho nada em me preocupar com estas coisas…
Mais do que como adepto, mas acima de tudo como cidadão, gostava de ver os nossos recursos valorizados neste momento de crise. E o futebol é um exemplo de como os recursos nacionais são valiosos mas, infelizmente, desprezados.




Notícias relacionadas


Scroll Up