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Contra os senadores enfermos

Conhecer o passado para compreender o presente e projetar o futuro é, certamente, um princípio que ninguém contesta. Façamos, então, um exercício de memória! Em 1983, o Governo do Bloco Central PS-PSD assinou um Memorando de Entendimento com o Fundo Monetário Internacional. Os impostos subiram, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, a inflação tornou-se galopante, o crédito acabou, o desemprego e os salários em atraso tornaram-se numa chaga social e havia bolsas de fome por todo o País.

Rosa Maria Arezes
11 Out 2012

Na altura, o então primeiro-ministro, Mário Soares, declarava convictamente: “Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto” (DN, 27.05.1984). Quanto ao desemprego e aos salários em atraso, não tinha pejo em afirmar que “isso é uma questão das empresas e não do Estado. O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego” (JN, 28.041984). E, justificando a política de austeridade, considerava-a “dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem o que o País caminharia, necessariamente, para a bancarrota e o desastre” (RTP, 01.06.1984).
Enfim, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”! Por estas e por outras é que cada vez tenho menos paciência para a pseudosapiência de senadores de tal jaez. Sem coerência nem um pingo de moralidade, tudo fazem para incendiar os ânimos, criticando as reformas que o Governo está a desenvolver para equilibrar as contas públicas e salvar o País da bancarrota para que o atiraram.
Esquecem-se, no entanto, que a dívida pública em 2005 rondava os 90 mil milhões de euros e que, em 2011, já era de 174 mil milhões.
E ignoram, deliberadamente, os cortes profundos que o atual Governo já está a efetuar nas gorduras do Estado.
Senão vejamos. Redução de mais de 800 milhões nos consumos intermédios do Estado; de mais de 1,2 mil milhões em despesas com o pessoal; e ainda uma redução de 1.711 cargos dirigentes da função pública e de 142 estruturas orgânicas na Administração Central.
Continuando com números, o Governo conseguiu 620 milhões, renegociando o QREN, e 1193 milhões, renegociando as primeiras PPP criadas pelos governos anteriores. A este propósito, e sem entrar na análise do caráter ruinoso de muitas delas, vale a pena lembrar que os governos socialistas (António Guterres e José Sócrates) foram responsáveis por 80, enquanto os Governos do PSD (Cavaco Silva e Durão Barroso/Santana Lopes) foram responsáveis por oito PPP.
Noutro âmbito, fomentando uma política de aposta nos medicamentos genéricos e reduzindo a margem de lucro das farmácias, o Governo já poupou mais de 700 milhões ao Sistema Nacional de Saúde.
Acresce ainda a verba de 150 milhões de euros/ano em cortes e extinção de Fundações e de 180 milhões/ano em cortes nas rendas de energia.
Todos estes números são públicos, mas, mesmo assim, há quem insista em ignorá-los e, sobretudo, quem continue a negar o essencial, a escamotear responsabilidades e a inflamar os sentimentos mais mesquinhos, dando forma à máxima “quanto pior, melhor!”.
É uma pena que abundem tantos senadores de tal jaez. Em vez de cultivarem a proverbial sabedoria, mais não fazem do que semear oportunismo, demagogia, populismo. Apetece dizer que serão os sintomas da senilidade! O que não deixa de ser uma pobreza para um País como o nosso que, há vários anos, bem precisa da palavra avisada de muitos homens sábios.




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