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Os lucros da Agere

A AGERE (empresa de Águas, Efluentes e Resíduos de Braga) fechou 2011 com lucros superiores a 4,25 milhões de euros. Quer na área de fornecimento de água, quer nas de saneamento e lixos, os lucros auferidos foram confortavelmente positivos o que permite aos acionistas um ganho de 2,9 milhões de euros (Diário do Minho, 28/06/2012).

Dinis Salgado
10 Out 2012

Para quem não sabe, a AGERE é, desde a aprovação municipal da entrada de capitais privados na empresa, maioritariamente detida pela Câmara Municipal (51%) e por um consórcio de construtoras (49%). Por um lado, a desmunicipalização, mesmo que parcial, da AGERE permitiu a resolução de problemas económico-financeiros crónicos e, por outro lado, imprimiu à sua gestão maior criatividade, inovação e dinamismo. Seria de aplicar, pois, igual modelo a outras empresas municipalizadas que, ano após ano, acumulam elevados prejuízos.
Todavia, para os consumidores os benefícios não são assim tão óbvios. Embora a Câmara Municipal mantenha a maioria do capital da empresa, as decisões relativas aos métodos e fórmulas de administração e gestão nem sempre lhe pertencerão na totalidade. Basta pensarmos que os lucros auferidos e anunciados possam escapar à lógica de serviço social e humanitário que, em democracia, sempre deve presidir à atuação de qualquer serviço público.
Então, quem se der ao incómodo, assaz zenónico, intrincado e frustrante, de analisar uma fatura da AGERE, depara-se com um complexo sistema de taxas e tarifas de difícil compreensão e racionalidade e que visam, tão só, o lucro. Casos há em que a despesa do consumo de água é muito inferior ao das referidas taxas e tarifas. Ademais, acresce a esta parafernália de taxas e tarifas, os seus aumentos frequentes. E, aqui, os munícipes são, claramente, esmagados, embora o fornecimento de água, o saneamento e a recolha e tratamento de lixos seja um serviço básico e essencial a qualquer comunidade.
Depois, a atividade de qualquer empresa, pública ou privada, não deve perseguir exclusivamente a obtenção de dividendos e lucros. O seu papel, solidário e social, traduzido numa relação de ética com os funcionários, clientes e colaboradores é um dos pilares fundamentais para o seu êxito presente e futuro. E, infelizmente, este espírito anda, hoje, arredado e esquecido da maior parte das empresas.
Ora, nos tempos atuais, em que muitas famílias já vivem com graves dificuldades económicas e financeiras, parte destes lucros da AGERE deviam permitir um abrandamento dos tarifários e taxas. E isto, obviamente, como uma ação de solidariedade e apoio aos que menos têm e mais precisam e, como tal, mais sofrem.
Por isso, em vez de vermos a publicitação destes avultados resultados de tesouraria, melhor seria que a empresa propalasse ações e meios de apoio social às famílias mais necessitadas. E até para não ser lícito perguntar:
– E bom viver em Braga?
E lógico responder:
– Só pr’alguns! Só p’ralguns!
Então, até de hoje a oito.!




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