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Sim, temos austeridade! Mas procuremos fugir do caos

Os portugueses são especialistas em fazer piadas sobre a situação do País e dos políticos. E é bom saber que ainda há quem tenha paciência e disposição para o humor! Prova de que o povo português é sensato e prudente. Um povo que, sábia e doutamente, usa as graçolas como forma de «descarregar» alguma insatisfação.

José Carvalho
8 Out 2012

A última que se conta, é esta: «Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro, anunciou o fim da crise; agora, começou a miséria» – diz-se um pouco por todo o lado.
Eu, tal como muitos milhões de portugueses, recebi, e com muita apreensão, as novas medidas de austeridade anunciadas. Serei um dos prejudicados. Eu e toda a minha Família, que já vínhamos sendo lesados desde há algum tempo.
São medidas impostas a todos e que a todos castigam. E julgo que nenhuma pessoa sensata gosta de saber que vai ter de pagar mais ao Estado e receber menos no final do mês. Da mesma forma que também me parece que nenhuma pessoa sensata considera que o Governo, seja ele qual for, anuncia medidas que prejudicam os cidadãos sem se ver forçado a tal.
Fruto do conjunto de medidas que têm vindo a ser tomadas, outras que se anunciam (e até algumas que muitos já prevêem), temos assistido, nos últimos dias, a um desgaste surpreendente do primeiro-ministro e do Governo. Por mais que se procure ignorar e disfarçar, isto é uma evidência! Os próprios membros do Governo, mesmo não o podendo assumir, o sabem.
Todos reconhecem que, numa situação normal e com um governo normal, é assim que os políticos começam a perder o respeito e a simpatia dos seus eleitores e demais cidadãos, numa primeira fase; e a perder as eleições, numa fase posterior. E tudo isto quando o Governo tem pouco mais de um ano de existência.
Porém, e para os mais distraídos, recordemos que estamos numa situação anormal. O Governo está dependente do «trio» mais falado nos últimos tempos: a famosa «troika». Um Governo que, apesar de tudo, ainda é respeitado pela comunidade internacional e pelos nossos credores.
A «troika», para a maior parte das pessoas, passou a ser considerado um nome feio. E todos recorrem ao insulto quando falam nela. Como se a «troika» fosse a culpada da nossa actual situação económica, financeira, social, política, etc..
Mas este famoso «trio» revela uma coisa simples: mostra, à saciedade, a nossa mais do que evidente fragilidade enquanto Nação independente. Mais: mostra que andámos, durante décadas, a gastar acima do que devíamos e podíamos. Revela que o País e os seus cidadãos se deixaram iludir pelo «dinheiro fácil». Como muitas vezes costumo dizer aos meus alunos: somos um País de pobres que se habituou a fazer vida de rico; o problema é que agora temos de pagar os empréstimos de gente rica mas com uma carteira de pobre.
Deixámo-nos enganar por alguns políticos que sempre nos prometiam facilidades, regalias e obras para todos os gostos. Deixámo-nos levar pela aparência das facilidades e das festas. Como nos disse uma responsável política recentemente: «foi uma festa». Esquecendo um pormenor: todas as festas têm de ser pagas. Eles fizeram as festas, sim, e nós agora temos de pagar as contas. E, ao contrário do que alguns irresponsáveis dizem, não há como fugir a isto: temos de pagar o que devemos. E mais nada! É a nossa credibilidade que está em causa. E não acreditem naqueles que dizem, à boca cheia, que não se paga o que devemos e que estão prontos a governar contra a «troika».
Endividámo-nos e agora temos de pagar!
A única alternativa ao não pagamento das dívidas, acreditem, chama-se caos. Sim, o caos!
Deste modo, e por muito que nos custe, temos mesmo de honrar os nossos compromissos, manter um governo estável e pagar o que devemos. Mesmo que seja à custa de austeridade, palavra que mete medo a toda a gente. Até porque, se dizemos que não pagamos, meus caros, os nossos credores não desembolsam as restantes «tranches» de milhões de euros de que necessitamos para viver nos próximos anos. Será bom que todos tenham consciência disto.
Sabemos que não será fácil, mas tem mesmo de ser. E o que tem de ser, tem muita força.
Esperemos, e muito sinceramente, que as consequências nefastas, para alguns, nesta fase, acabem, depois, por trazer consequências expurgadoras para o bem da maioria. Até porque a alternativa à austeridade, como já todos perceberam, é o caos.
Vale a pena pensar nisto!




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