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Denunciando certos incendiários sociais

Por estes dias, temos ouvido intervenções de certas figuras – da área do Governo ou da oposição, dos setores políticos e da comunicação social, nos espaços noticiosos ou na rua, em conversa ou em discussão – que têm servido para acirrar os ânimos mais ou menos em tensão entre os cidadãos e também as instituições.

8 Out 2012

Quando se esperava de todos uma certa racionalidade – pelo que se diz e, sobretudo, naquilo que se faz – temos visto, pelo contrário, ser exacerbada uma certa emotividade, criando condições para serem começados conflitos, cujas consequências nem sempre poderão ser controladas quando forem iniciados.

– Há quem cante vitória por ter conseguido reunir – ou será antes arregimentar? – cem mil manifestantes. Mas que é isso no contexto da área metropolitana de Lisboa: cerca de dois por cento dos habitantes da região e, no contexto nacional, esse número pouco mais será do que zero vírgula nove por cento da população total! E muitos, segundo dizem, vieram doutras re-
giões do país, às centenas. Portanto, a capital não aderiu!

– Há quem invetive os empresários que contestaram as medidas governamentais, classificando-os de ‘ignorantes’, só porque não alinharam acriticamente naquilo que poderia deteriorar as relações laborais a curto e médio prazo. As respostas dos atingidos – particularmente empresários e patrões – roçaram (quase) o insulto e trouxeram à liça conflitos mal resolvidos noutros campos de intervenção! Não é deste modo insultuoso que serão dados sinais de pacificação aos outros cidadãos e entidades empregadoras nacionais e estrangeiras.

– Sobretudo, a cobertura das mais recentes manifestações populares – de 15, 21 e 29 de setembro – deram-nos a conhecer uma televisão autoapelidada de ‘serviço público’, a RTP, que se exalta e incendeia, que se defende e ataca, que estrebucha e contradiz, pois as intervenções da rua e dos estúdios quase nos fazem crer que estamos em guerra aberta e eles estão dum lado: contra o patrão, que é o Governo. Que eles defendam o lugar de trabalho não podemos contestar, agora que o façam duma forma tão acintosa contra quem tem sobre eles a tutela e, indiretamente, lhes paga – pretendendo defenderem o (dito) serviço público – já se torna menos compreensível. Agora podemos ver outros canais menos exaltados. Agora podemos comparar e até escolher. Agora podemos fazer zaping e ir à procura de alguém mais independente e sereno…

– Perante certas posições partidárias e sindicais, parece-nos que são apontadas saídas para as condições de austeridade – exgerada e mal explicada – com que temos sido trucidados nos tempos mais recentes. No entanto, quando escutamos melhor, não temos visto mais do que algumas intenções sem nexo e propostas a desdizer, embora com razoável cortesia e cobertura noticiosa. De facto, não podemos continuar a ser enganados nem é aceitável que nos queiram impingir silêncio só porque é assim e cala. Talvez estejamos a ser governados por gente impreparada e sem conhecimento da vida real. No entanto, não vemos perfilarem-se substitutos com caraterísticas diferentes. Antes vemos imberbes meninos de gabinete e inteletuais de secretária, sem provas dadas em lugar algum! E dos (ditos) batidos nas coisas da contestação – sobretudo duma certa esquerda revolucionária e doutra caviar – o que podemos perceber é que têm experiência no maldizer, mas não se sujam no trabalho da construção do bem comum, de todos. Têm a sua agenda e defendem, particularmente, os seus em clima de protesto!

Digamos com clareza: o país precisa de ideias audazes bem como de protagonistas sensatos. Está na hora de sermos governados pelos mais competentes, sérios e conscientes. Precisamos de comprometer na coisa pública quem tenha vivência dum verdadeiro serviço altruísta e não meramente interesseiro. Basta de vivermos neste regime de partidocracite. Se as ideologias falharam, saibamos criar um clima de solidariedade no bem comum positivo e não só na exaltação da desgraça. Portugal merece melhor!




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