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Desemprego

O desemprego é o problema mais grave e de mais difícil solução que o país atravessa.Enquanto não se consegue uma recuperação efetiva da economia, o que pode ser feito para amenizar os graves problemas do mercado de trabalho?

Hermínio Veiga da Silva
7 Out 2012

Todas as tímidas medidas que os diversos governos foram tomando, tiveram resultados medíocres ou, pior ainda, foram vítimas de aproveitamentos oportunistas de alguns empregadores sem escrúpulos.
As medidas que consistiram em “premiar” as empresas/instituições que, mesmo num cenário de crise, contrataram pessoas, concretizaram-se em oferecerem estágios profissionais remunerados, tendo como filosofia que é provavelmente melhor, como base de políticas públicas, subsidiar emprego do que subsidiar desemprego. Infelizmente, estes empregos tiveram como resultado que, em muitos casos, durassem apenas enquanto os benefícios duraram. A ideia de raiz generosa e com bons propósitos, que tinha como base a comparticipação dos salários ou concessão de benefícios fiscais, foi assim torpe-
deada por alguns, servindo de triste exemplo de como boas ideias podem servir apenas alguns, à custa de todos.
No tempo atual em que o investimento público atingiu o ponto mais baixo dos últimos anos e em que o investimento privado não segue melhores caminhos, o regresso ao crescimento económico e à criação de emprego parece uma miragem, enquanto a estagnação ou até retrocesso se apresenta como um terrível pesadelo.
As causas e os efeitos da atual situação económica já foram mais que diagnosticadas, todos os dias, nos mais diversos meios de comunicação. Eminentes especialistas dissertam sobre as razões e as consequências, sem apontar soluções. Tento compreender e encontrar que efetivas soluções apresentam e, sinceramente talvez por defeito meu, nunca consegui perceber sequer um vislumbre de solução ou, pelo menos, uma ideia ainda que ténue.
Numa coisa me parece que estão de acordo: Portugal não produz riqueza suficiente para viver ao nível atual. Julgo que é aqui que o poder público tem que intervir, no sentido de estimular investimento, ou até o próprio poder público investir.
Em Portugal, existem algumas boas Universidades, mas, infelizmente, pelo que me é dado conhecer, estas Instituições não têm servido para fomentar a criação de empresas na área da produção dos chamados bens transacionáveis. Podendo ser injusto, acho que a maioria delas limita-se a passar conhecimento, não transmitindo aos que as frequentam a ambição de irem mais além de apenas garantirem um emprego.
E esse sentimento, neste momento, atravessa toda a sociedade portuguesa. Busca-se um emprego como no deserto se busca água. Só que, em vez de tentar abrir alguns poços para matar a sede, anda-se às voltas, numa caminhada sem fim nem rumo. Sem outra pretensão que não seja dar a minha opinião, ainda que modesta, gostaria que as Universidades se envolvessem mais no processo prático de desenvolvimento do país, promovendo entre os seus alunos o gosto pelo risco.
Mas gostaria de sugerir ainda o seguinte:
Que as Universidades fizessem um estudo das potencialidades económicas das regiões em que estão geograficamente inseridas.
Que promovessem, nos diversos cursos, entre todos os alunos, ideias fundamentadas de investimento para aproveitamento dessas potencialidades.
Que essas ideias priorizassem as potencialidades próprias da região de inserção da Universidade
Que se centrassem nas nossas riquezas naturais: agricultura nas suas diversas vertentes: turismo, com a valorização do património natural e construído; pescas, centradas no nosso imenso mar; indústria, apostando na diferença e na qualidade.
Os melhores projetos deveriam ter financiamento garantido pelo Ministério do Emprego, com esquemas simples e sem burocracias. Única exigência: criação de emprego e a sua manutenção por um tempo mínimo razoável.
Recursos: utilização racional dos meios poupados na extinção de algumas inutilidades.
O lema:  fim à esmola, sim à entrega da cana de pesca




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