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Custe o que custar, o défice vai baixar!

A manifestação recente dos portugueses foi um sinal para o Governo e para os políticos do nosso país. Oxalá este acordar do povo seja o alerta para evitar males maiores, num momento particularmente sensível, devido ao excesso de austeridade, às injustiças sociais, ao desnorte daqueles a quem é exigida uma resposta serena para os problemas que enfrentamos.

J. Carlos Queiroz
7 Out 2012

Os portugueses estão cansados de promessas e de medidas para qualquer coisa que, nunca ou raramente, lhes é explicada. Embora sabendo que foi a irresponsabilidade política que nos levou para o estado atual, sempre foram tolerantes e esperaram pacientemente pelas mudanças prometidas pelo atual executivo, até ao momento em que um discurso mal preparado, anunciou medidas inadmissíveis, capazes de destruir o pouco que resta de emprego e estado social. Nenhum governante pode acender um rastilho quando o vento sopra forte. A austeridade sem regra, incidindo sobre trabalhadores e pensionistas, foi a gota de água que fez transbordar o copo já cheio, mas serviu também para unir milhares de cidadãos na defesa de interesses comuns.
O acordar do povo foi o sinal que este Governo devia e podia ter evitado se, a tempo, olhasse para a realidade do país e para os efeitos de políticas cegas, que só conseguiram agravar a situação social das famílias. De resto, muito se fala de desemprego e de mitigar os seus efeitos, sem nunca se falar suficientemente sobre como criar emprego e sustentabilidade do sistema de segurança social. Quem deve criar emprego e como, parece ser um desafio sempre adiado, mesmo pelos responsáveis políticos, sendo certo que o Estado é a entidade que mais facilmente cria emprego, sendo uma questão de vontade e de opção política, em cada momento. Quando, pelo contrário, um Governo toma medidas que conduzem a mais desemprego, ignora os efeitos de medidas de austeridade na economia e tem apenas por objetivo o défice público, ele não pode ignorar os cenários seguintes e que são, afinal, os condizentes com a situação atual do país.
Estas ideias nem sequer exigem grandes conhecimentos de economia. São do senso comum e ouvem-se frequentemente discutidas em conversas informais entre cidadãos. Os portugueses sabem que a alteração eventual das medidas de austeridade, não significa tranquilidade quanto ao futuro ou mesmo desistência do Governo por alternativas capazes de angariar milhões em impostos. Sabem agora que a questão é de défice porque as medidas tomadas foram incapazes de resolver parte do problema e que resulta da necessidade de cumprir acordos decorrentes do memorando. Esperam apenas por maior equilíbrio e equidade nas medidas e que os cidadãos não continuem a ser esquecidos.
Dizia recentemente um político que era tempo de não pedir sacrifícios a quem tem rendimentos abaixo de 1000 euros mensais e outros referem menos austeridade para rendimentos familiares com valores per capita inferiores a 700 euros. Falam também em impostos progressivos e ainda sobre os rendimentos de capital. Sugerem cortes nas despesas do Estado na ordem dos 10 ou 15%. Enfim, não faltam ideias para que a equidade exista, quando a austeridade é uma inevitabilidade. Custe o que custar, o Governo vai ter de mudar de rumo, mesmo que outros interesses sejam afetados, que não os de sempre. É tempo de mudar de atitude e olhar para o país real e para a dignidade que todos os portugueses devem merecer, por parte de quem governa.




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