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Sem rumo

Se há quinze dias atrás, no meu artigo anterior, me interrogava para onde caminhava o desporto (quo vadis, desporto?), face à grave situação financeira, e não só, que atravessamos, as perspectivas futuras não se apresentavam muito risonhas, antevendo tempos de extrema dificuldade, tendo tecido algumas considerações sobre as consequências das fortes medidas de austeridade que assolam o país desde os finais de 2010.

Luís Covas
5 Out 2012

Então que dizer sobre o impacto das novas medidas anunciadas ontem pelo Sr. ministro das Finanças ao país, que por inerência dos seus efeitos vai provocar danos irreparáveis no setor do desporto, bem como em todas as áreas da nossa sociedade. Poderão os leitores questionar o que é que as medidas ontem anunciadas terão a ver com o desporto e a atividade física deste país?
Pois caro leitor será muito simples de explicar, é que com menos dinheiro no bolso dos portugueses certamente que o investimento será menor, haverá menos gente nos espectáculos desportivos, as receitas decairão, já de si preocupantes, os sponsors não terão meios para patrocinar, o Mecenato desaparecerá e muitas das colectividades fecharão portas. Quantos clubes já não pagam aos seus profissionais há 2 e mais meses, e a época ainda agora começou?
Outro exemplo flagrante é o que se passa com o nosso SC Braga onde as assistências aos jogos são bastante reduzidas e com um desempenho notável do ponto de vista desportivo. Ainda esta semana pudemos constatar aquilo que se passa por essa Europa fora, em jogos da Champions League, onde vimos estádios na Turquia, Holanda, Espanha, Inglaterra, Bélgica, etc., completamente cheios e o nosso clube, na 1.ª jornada frente ao Cluj, teve pouco mais de 10 mil espectadores nas bancadas. Isto reflecte bem o poderio económico dos nossos cidadãos e não falta de interesse.
Continuar com as mesmas políticas dos últimos tempos não alterará nada o estado calamitoso em que mergulhámos. O que se pretende então? Que caminho a seguir?
Creio que estas serão muitas das dúvidas que todos os portugueses terão sobre esta matéria. A actividade física e o desporto contribuem para a promoção da saúde e o bem-estar das pessoas, mas serão necessários alguns investimentos e disponibilização de meios que são escassos, por isso o receio é enorme.
O Estado tem responsabilidades no desenvolvimento da actividade física e do desporto contribuindo desta forma para uma melhor formação pessoal e social.
E se os meios não abundam é tempo de colocar as pessoas competentes, que saibam fazer as coisas, a trabalhar no seu devido lugar! É preciso aplicar soluções a médio e longo prazo na área do desporto! É necessário definir objectivos claros! O desporto não são apenas medalhas, o desporto é uma forma de estar na vida, é uma parte da cultura de um povo.
Um investimento a prazo no desporto potenciará indirectamente o investimento tendo em vista a evolução desportiva e financeira. E mesmo em tempo de crise se não tomarmos as medidas mais adequadas teremos no futuro um país sem rumo, doente e envelhecido.




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