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Do movimento ao mérito

O que desencadeia as energias e os recursos anímicos que vamos tendo para alimentar o nosso quotidiano, enrodilhado em acontecimentos e pejado de preocupações são os motivos nem sempre bons nem sempre maus, mas possíveis de ser evocados em frente de amigos e conhecidos ou a motivação consciente, que nos permite grandes e pequenas batalhas, travadas em direção a objetivos elegíveis, que por isso mesmo, podem ser ditos em voz alta.

Silvia Oliveira
5 Out 2012

Na motivação, começamos sempre por um impulso interno, aquela coisa de sobrevivência, que é capaz de nos levar à satisfação de necessidades muito, muito “grosseiras”, para seguirmos em frente, expandindo a ideia, ainda mais, até chegarmos à atração ou aos patamares de conforto e exigência, que levam em conta as preferências individuais. Chegamos, assim, ao momento de afirmação pessoal, descobrindo com ele que gostamos de ganhar dinheiro; que gostamos de comprar coisas bonitas e sentir a segurança que os “pés-de-meia” nos proporcionam; que gostamos de ser importantes ou famosos, pagando muitas vezes para sermos cumprimentados com deferência; que gostamos, felizmente apenas para alguns, do controlo mais ou menos sofisticado e perverso de “dar cartas” e viver das emoções dos outros, sentindo-nos com isso, no centro de um “mundozinho” limitado, mas simultaneamente embriagante; que gostamos de nos apaixonar em cada enamoramento, tecendo para isso complicadas atitudes sedutoras que até nos levam a escrever um livro, uma música ou um poema, na dor da festa ou da despedida; que gostamos que conversem connosco e nos convidem para uma festa e até nos convençam da nossa popularidade; enfim, gostamos de uma forma plural e igualmente legítima.
O desconfortável de todo este movimento humano não é o reconhecer, nestes motivos apresentados ou noutros igualmente verdadeiros, simpatia, incompatibilidade ou discórdia, mas sim perceber que o sistema de compensação ou o sistema que alimenta estes movimentos, não é nem assumido nem claro. E isso acontece quando o que nos move nos escapa à consciência, surgindo desse resultado prioridades circunstanciais pouco íntimas, que nos levam a não reconhecer o mérito, o nosso mérito.




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