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Contrastante

Estou a escrever esta crónica antes dos jogos da Liga Europa mas, após as vitórias na Liga dos Campeões, do SC Braga e do FC Porto, e ainda meio abalado com o anúncio das medidas de austeridade. Estas medidas estão sempre associadas ao futebol. Admito que já fui ver os calendários das seleções e dos “grandes”, para ver quando acontece um jogo importante, só para me ir preparando…

Carlos Dias
5 Out 2012

Essas medidas levam-me a pensar que todos, ou antes, quase todos, ficamos a perder: os reformados e pensionistas perdem parte das suas pensões, os trabalhadores perdem parte dos salários, os desempregados perdem os subsídios… Pelo contrário, algumas equipas de futebol (contrastando com esta constante perda), fruto de lideranças fortes, do empenho, da competência, superam dificuldades e enfrentando adversários de maior valia orçamental… ganham!
Não tenho veleidades de fazer qualquer análise política à situação que atravessamos, contudo, penso que o desporto, em algumas matérias, poderá facultar grandes lições de liderança. Está demonstrado que, no que respeita à liderança de pessoas e equipas, não são as palavras que fazem mobilizar, muito menos as boas intenções expressas, são os atos dos que dirigem que influenciam mais significativamente os que são dirigidos. O impacto das suas atitudes e comportamentos, o exemplo do “ser” e do “saber estar”, a coerência, a honestidade e a frontalidade, conseguem aumentar a confiança dos elementos que são dirigidos. Assim sendo, a autoridade não é imposta mas aceite!
Na psicologia e na sociologia existem regras bem definidas e comumente aceites que devem nortear as lideranças, contudo, a mais básica é: para se defender um coletivo é exigido que quem lidera seja uma referência, um modelo a seguir. Faz-me lembrar a história, verídica, do miúdo, que num jogo de futebol, vê e ouve o seu pai a maltratar a mãe do árbitro e por imitação também decide fazê-lo. O progenitor, indignado, dá um valente sopapo ao miúdo, dizendo: “Aqui, o único que pode dizer asneiras, sou eu! És um malcriado! É muito feio chamar nomes ao árbitro!” Para além da dor, o miúdo ficou envergonhado, confuso e desnorteado.
Estou convicto que todos entendemos a fatalidade de viver com menos, em baixar as expetativas e que as dificuldades são e serão enormes, mas não podemos perder a esperança e a ambição na transformação do cenário.
Tomando como exemplo o SC Braga, com jogadores e orçamentos mais modestos que os adversários, tem delineada uma linha, um rumo e vai cumprindo os seus intentos, dentro e fora de portas. Este trajeto só é possível com a mobilização de todos os agentes, compatibilizando as ambições, definindo os objetivos, consciencializando o grupo para o esforço e com responsabilização individual e coletiva. Só desta forma é que (as equipas, os clubes e o país) poderão ultrapassar as dificuldades e as metas atingidas.
Não há nada mais importante para uma equipa (país) superar as dificuldades, do que envolver os intervenientes num projeto comum e coletivo e os diversos desafios assumidos por TODOS!
Na minha vida já aprendi que para haver superação, tem que existir pressão, desconforto, muito esforço, trabalho e alguma adversidade. Mas não há nada melhor para aprendizagem que o exemplo do líder. Nada mais relevante para a minha educação do que o exemplo do meu pai.
O nosso país precisa do exemplo, vindo de cima!…
Parecendo simples é (muito) complexo! Mas sendo complexo poderia ser simples.
carlos.dias03@gmail.com




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