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Austeridade, até quando?

Até quando a austeridade?! Eis a pergunta que assola a mente da quase totalidade do povo português que começa a ficar cansado dos sucessivos bafos de austeridade que, infelizmente, vão marcando a atualidade.Sinceramente, eu estou cansado da austeridade. Estou confuso também! Não sei se este é o caminho de salvação ou fonte do nosso fracasso. Uns dizem que é a solução, outros dizem que nos conduzirá a um ciclo vicioso, produzindo um efeito de bola de neve na economia que assim se vai vendo mais próxima das ruas da amargura.

5 Out 2012

A verdade é uma: dos governos dos últimos anos, parece que o caminho apontado foi sempre o da austeridade. Após o estalar oficial da crise e após um conjunto de políticas anárquicas do ponto de vista do controle da despesa pública, o Partido Socialista governou em austeridade. Fê-lo por pouco tempo, é verdade! Logo a seguir, perdeu as eleições e entregou o menino doente nos braços dos atuais partidos do governo. Fazendo uma analogia com a Medicina, pode dizer-se que o PS deixou aos portugueses um país em paragem cardiorrespiratória. Agora, reanimar Portugal não é tarefa fácil!
Fico indignado ao ver a forma como o país se foi afundando, ao longo dos últimos anos, ao mesmo tempo que o discurso dos Governantes era o de que o país estava no bom caminho. A mensagem era de esperança e atirava-se areia para os nossos olhos, tentando-
-nos esconder que as contas públicas estavam quase a bater no fundo e que o fundo do poço era o nosso destino. Como é possível termos tido um chefe de Governo que, numa segunda-feira, à noite, diz que não ia pedir ajuda internacional e na quarta-feira seguinte já estava a pedir socorro ao Fundo Monetário Internacional?! Não entendo, sinceramente! Não entendo a inconsciência de quem via o motor do Estado a gripar e ao mesmo tempo falava em investimentos megalómanos! Não entendo como é que deixamos de pensar em construir um aeroporto novo ou um TGV para, de uma hora para a outra, pensarmos em formas de nos livrarmos da bancarrota! Mas sinceramente, não me admira nada que assim tenha sido, quando quem então nos governava disse, mais tarde, em França, que «pagar a dívida é uma ideia de criança»!
Quando vejo todas estas medidas de austeridade fico triste porque sei bem o sofrimento que isto nos causa a todos, a uns mais do que a outros, mas fico ao mesmo tempo revoltado para com quem nos deixou chegar a este ponto. Também me revolta a politiquice que tem pautado a atuação dos agentes políticos ao longo desta crise profunda que atravessamos. O CDS demarca-se da questão da TSU, como forma de chutar para canto a batata quente e de passar ao lado da responsabilidade de uma medida tão impopular. Não me revejo nesta forma de atuação demagógica que, a meu ver, não se coaduna com a postura que deve ter um partido que está a governar! Fazendo parte do Governo, tem que assumir como suas todas as iniciativas desse mesmo Governo. Caso contrário, o melhor é abandonar o barco! Quanto ao PS, só critica. Agora é fácil dizer mal! Gostava de uma oposição mais pró-ativa que trouxesse para cima da mesa mais ideias e contrapropostas que nos ajudassem a sair deste imbróglio que nos
coarta a qualidade de vida. Gostava de uma oposição que não se limitasse apenas ao corta e cose, à crítica e à demagogia, que pensa mais nos votos e nas eleições e não propõe soluções. Se não concorda com o caminho que está a ser seguido, que proponham medidas concretas. Ajudem Portugal a sair da crise!
Ao PSD também tenho um recado a dar. Não façam promessas que sabem que não podem cumprir ou que não têm a certeza se podem ou não pôr em prática. Por que é que Pedro Passos Coelho, na oposição, disse que a austeridade não era o caminho?! Por que disse que não ia cortar os subsídios de férias ou de Natal?! Por que apontou 2013 como o princípio do fim da crise?! Errou! A atitude não pode ser esta! Unam-se! Pensem nos desempregados, naqueles que estão em vias de perder o emprego, as casas, os bens, que não têm dinheiro para pagar as contas ou os estudos dos filhos! Pensem naqueles que já não têm posses para comer ou para viver com o mínimo de dignidade! Esqueçam as politiquices, os interesses, os partidos, as eleições e os votos e pensem de uma vez por todas em salvar Portugal!




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