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República do feijão-miúdo

Neste dramático momento, do que menos o país precisa é de governantes políticos. Que sempre obedecem a interesses partidários e de grupo, cedem às pressões de lóbis e corporações e temem as contestações de rua. O país precisa mesmo é de um Governo de homens descomprometidos e sérios, de técnicos competentes e empreendedores, numa palavra, de estadistas que definam o rumo certo a seguir, tracem as estratégias a adotar e as apliquem com firmeza, serenidade e equidade.

Dinis Salgado
3 Out 2012

Porque o que temos tido são governações que vacilam, temem e fustigadas são incessantemente por oposições bota-abaixo sem propostas capazes de ajudarem na resolução dos problemas  nacionais e que, no caso do Partido Socialista, apesar de ter assinado o memorando da troika, sempre foge aos comprometimentos e cedências. E, mais grave ainda, é ter sido por ele feito o pedido de resgate, já com o país à beira da bancarrota, no estertor do consulado de Sócrates.
Depois, são sempre os mesmos a pagar as crises: os que menos têm e mais precisam. Mormente, os funcionários da administração pública que, sem culpa alguma dos desmandos, despesismos e má governação do patrão, o Estado, os primeiros são a suportar a dureza e crueza das medidas de austeridade. E com o argumento falacioso de que, sendo necessário cortar nas gorduras do Estado, é mais fácil e rápido recorrer à redução de salários e pensões, despedir pessoal, congelar carreiras, acabar com subsídios, convenções e apoios sociais.
O que não passa de uma ação que desrespeita a equidade e justiça social. Porque não é seguramente onde mais gordo o Estado se mostra que o corte se exerce. Por exemplo, devia exercer-se: na diminuição da frota de 208 carros de luxo ao serviço do Governo, na extinção de institutos, fundações e PPP, na redução do número de deputados, membros do Governo, gabinetes, assessorias e vencimentos dos titulares de cargos políticos, na contenção nas nomeações para cargos políticos, no corte nos vencimentos dos gestores públicos, nas despesas com viagens, hotéis, ajudas de custo dos membros do Governo, etc.,etc.,etc..
Aqui, sim, é que está a verdadeira obesidade, o unto do Estado que nenhum Governo parece querer eliminar. E que prova provada é de que tal gordura é mesmo formosura.
Todavia, há dias, com pompa, circunstância e enorme expetativa dos portugueses, reuniu o Conselho de Estado pensava-se que para encontrar uma saída para a crise que podia passar, por exemplo, pela formação de um Governo de salvação nacional. Só que tanta cabeça iluminada e pensante, pasme-se, qual brigada do reumático do antigamente e perante a antecipação do Governo em deixar cair a trapalhada da TSU e declarar que a coligação está bem de saúde e recomenda-se, nem sequer capaz foi de tirar um coelhinho que fosse da cartola.
O que nos leva a pensar que, de república das bananas, depressa corremos o risco de passar a república do feijão miúdo e, consequentemente, a praguejar:
 – Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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