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Governo 2013, as saídas e entradas

Nestes dias, muito se tem falado da remodelação governamental. De todas as questões que se colocam sobre este assunto julgo que as fundamentais são quem deve sair, quem seria bom que entrasse e quando o fazer. Ora, desde logo parece-me evidente que Relvas e Álvaro Santos Pereira, por razões completamente diferentes, têm de sair.

Ramiro Brito
3 Out 2012

O primeiro é o flop deste Governo e é relativamente grave que o seja. Foi envolvido numa série de polémicas, algumas delas constrangedoras, e não se mostrou à altura de saber lidar com as vicissitudes que são inerentes a ocupar um cargo dessa importância na estrutura governamental. Teve o azar de se ter transformado no alvo preferido da imprensa, muitas vezes irresponsável, e isso em Portugal é fatal como o destino. Por outro lado, parece-me claramente mal preparado para o cargo que lhe confiaram. Por isso não vejo aqui grande margem de manobra para o segurar no Governo. É grave que este seja, por ventura, um dos ministros menos bem sucedidos deste Governo, por ser um homem de confiança do primeiro-ministro e por ter sido, portanto, uma aposta pessoal dele. Errar é humano e Passos Coelho ainda vai a tempo de emendar o erro.
Por sua vez, Álvaro Santos Pereira não padece do mesmo mal, ou seja, parece-me uma pessoa plenamente preparada para desempenhar as funções, montou uma equipe de pouco conteúdo político e bastante conteúdo intelectual e académico, mas tem nos ombros um monstruoso ministério, provavelmente o mais sacrificado pela ideia de minigoverno imposta pelo primeiro-ministro. Num ministério com estas caraterísticas, numa conjuntura como a nossa, não me parece fácil que qualquer ministro sobreviva um mandato inteiro. A exposição é muita, as pastas que gere são diversas e algumas estruturais, razão pela qual só um superministro estaria à altura dessa proeza. O atual ministro da economia, na minha opinião, é bom, mas não é um súper.
Para respondermos ao “quem deve entrar” começaria pelo potencial substituto de Relvas. Deve ser claramente um homem que domine o aparelho do PSD para conter os excessos, que tenha boas relações com o CDS-PP, para ser ali um elemento estabilizador da coligação e, acima de tudo, o homem de confiança de Passos
Coelho. Deverá ter a habilidade política para gerir as questões parlamentares, mas terá de ser alguém com credibilidade junto das pes-
soas, quer por ação, quer por omissão. Provavelmente, Miguel Macedo seria alguém com este perfil, se calhar não completo, mas com o essencial para ser muito melhor que Relvas. É um homem do Partido, com prestígio interno, sem mácula externa e normalmente conciliador e não fraturante. As soluções apontadas pela imprensa reúnem apenas a confiança do primeiro-ministro sem terem, quanto a mim, os outros aspetos essenciais para o desempenho destas funções. Luís Montenegro julgo que ainda não tem estaleca, e Jorge Moreira da Silva e Carlos Coelho parece-me estarem ainda mais longe daquilo que é necessário para enfrentar os próximos tempos.
Na economia, a tarefa não é fácil. Encontrar um superministro que já saibamos que o é não me parece tarefa acessível, e aumentar o número de ministérios seria o reconhecimento de que uma ideia estrutural de Governo do primeiro-ministro tinha falhado, o que nem sequer me parece corresponder à verdade. Julgo que redistribuir a alçada das secretarias de estado seria a solução mais benéfica. Neste campo, vozes se levantam para dizer que deveria ser entregue ao CDS-PP a pasta, numa forma de “distribuir o mal pelas aldeias”. Parece-me demasiada estratégia partidária e pouco realismo político, sobretudo na fase em que nos encontramos. O nome a encontrar poderá passar pelo CDS-PP, com Pires de Lima e Lobo Xavier a serem fortes candidatos, convencendo-me apenas o segundo. Na área política do PSD, António Borges tem o conhecimento, mas não tem a sensibilidade política. Carlos Moedas é a hipótese que se veicula, mas será sempre visto como uma aposta, uma incógnita que pode ou não resultar. Neste cenário, e por uma questão de qualidade e benefício do país e não por estratégia partidária, Lobo Xavier parece-me uma boa aposta.
Fala-se ainda da possibilidade de mexer na pasta das Finanças. Sinceramente, não gostaria que acontecesse. Vitor Gaspar convence-me, parece-me bom e competente e seria prejudicial substituir, por mera pressão social e sindical, quem está a fazer um bom trabalho.
Por fim, “quando”? Definitivamente, nunca depois da apresentação do orçamento para 2013. A remodelar e a apresentar novidades estas deverão surgir até esse momento crucial e de grande debate político que será o orçamento de estado para o próximo ano. Quem vai liderar as pastas deve entrar nesse momento crucial que é a definição do rumo a seguir e assumir as opções que forem feitas nesse sentido. Antes ou durante, parece-me indiferente. Remodelar parece-me inevitável e necessário.




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