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Refletindo sobre o Ano da Fé

O Ano da Fé, com início no próximo dia 11 de outubro, prolongar-se-á até 24 de novembro de 2013, Festa de Cristo – Rei!Oferece-se-nos, mais uma vez, uma oportunidade de aproveitamento de graças especiais para uma mais séria e plena conversão a Deus, para reforçarmos a nossa fé nele, para que possamos anunciá-lo com alegria e convicção, aos homens do nosso tempo, como nos lembra o Santo Padre, Bento XVI na Carta a Porta da Fé.

Maria Helena H. Marques
2 Out 2012

Estamos e continuamos sob a pressão de uma gigantesca crise económica e financeira cujas verdadeiras causas e dimensões não compreendemos plenamente, mas em que as consequências são por demais evidentes, na medida em que afetam, de forma dramática, muitas famílias e populações. E porquê tudo isto?!
Vão sendo referidas algumas respostas vagas e insuficientes para a enormidade do problema que, de modo nenhum, satisfazem.
Para Bento XVI, o maior problema, a maior ameaça à Europa, não é a crise financeira que já há muito se arrasta; a maior crise é a crise de ética que ameaça, mina e pode destruir, em todos os aspetos, o Velho Continente.
Diz o Papa: “Embora certos valores como a solidariedade, o serviço aos outros, a responsabilidade pelos pobres e atribulados sejam em grande parte compartilhados, todavia falta muitas vezes a força capaz de motivar e induzir o indivíduo e os grandes grupos sociais a abraçarem renúncias e sacrifícios”.
Para o Santo Padre, o maior desafio que a Igreja enfrenta, neste momento, é “a profunda crise de fé”, manifestada de formas diversas. Constatamos isso, por exemplo, ao visitar as igrejas durante as celebrações: as pessoas que participam na Liturgia Eucarística – na Santa Missa dominical -, na receção do Sacramento da Penitência (Confissão pessoal) -, são menos e mais idosas.
Tinha razão o Papa João Paulo II quando, em 1995, dizia: “Tem-se instalado em muitas pessoas um sentimento religioso vago e pouco comprometido; levam uma vida como se Deus não existisse” (23.11.95).
Também Bento XVI, em maio de 2010, manifestava em Fátima essa mesma preocupação: “Enquanto no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade, devido a uma profunda crise de fé e de valores que atingiu muitas pessoas”.
No início deste ano, o Papa constatava o mesmo problema, dizendo: “em grandes regiões do mundo, a fé corre o risco de se apagar como uma chama que já não encontra alimento”.
Trata-se, na realidade, de uma crise profunda, uma perda do sentido religioso (impresso na alma de cada ser humano pelo Criador!), que é o maior desafio para todos os cristãos. Constata-se uma lassidão, um afrouxamento, um cansaço da fé que, normalmente, trazem atrás muitos dos males de que vamos tendo notícia.
É à luz de tudo isto que Bento XVI anuncia o Ano da Fé com o objetivo de tornar Deus mais presente neste mundo.
A Fé é o elemento central do Cristianismo e o que dá um sentido profundo à existência. Um sentido que não pode ser construído ou comprado pelo homem, mas recebido como um puro dom. Porque é iniciativa de Deus. É Ele quem primeiro nos ama e nos procura. Encontramo-lo, se queremos, definitivamente na Sua Palavra e nos Sacramentos. É, por conseguinte, um dom de Deus quando aderimos com humildade e gratidão à sua proposta.
Diante da profunda crise que manifesta a perda do sentido religioso, a renovação da fé deve ser a prioridade no compromisso de toda a Igreja – dos fiéis batizados – nos nossos dias. Diz o Santo Padre: “Desejo que o Ano da Fé possa contribuir, com a colaboração cordial de todos os componentes do povo de Deus, para tornar Deus novamente presente neste mundo, ao confiar-se àquele Deus que nos amou até ao fim (Jo.13,1), em Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado”. (Bento XVI, Porta Fidei).
      Procuremos mostrar a todos, com a nossa vida, a força e a beleza da fé! A fé torna-nos magnânimos, porque alarga o coração com a esperança e leva-nos à prática da caridade. Celebremos a fé com as obras, confessando-a em várias formas e lugares: na família, na escola, no grupo, na comunidade. Descubramos novamente os seus conteúdos no Catecismo da Igreja Católica, 1.ª Parte, ou no Compêndio. É um esforço que certamente realizaremos com gosto para reavivar a nossa fé que nos levará, necessariamente, com a naturalidade da nossa vida, a tornarmo-nos testemunhas da presença e do amor de Jesus Cristo.
A propósito da Nova Evangelização, dizia o Beato João Paulo II: “Queridos irmãos, a missão antiga e nova que está diante de nós, é aquela que leva os homens e as mulheres do nosso tempo à relação com Deus; que os ajuda a abrir a mente e o coração àquele Deus que os ama, que os procura e quer estar junto deles, para os guiar e ajudar a compreender que cumprir a Sua vontade não é um limite à liberdade, mas antes ser realmente livres para realizar o verdadeiro e o maior bem da vida”.




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