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Aspetos positivos e negativos

1 Criticar é sempre fazer um juí-zo de valor acerca de alguma coisa. E esse juízo tem de ser o mais objetivo possível; de outro modo, a crítica perde consistência. Foi positivo o Governo ter recuado na medida da TSU. Houve quem dissesse que perdeu autoridade ao recuar nessa medida. Não concordo. Para ter autoridade não é preciso ser inflexível nem andar de chicote na mão; basta ter maturidade e qualidade de liderança, competência e experiência bem sucedida. Além do mais, essa opinião releva do modo como se entende a autoridade.

M. Ribeiro Fernandes
30 Set 2012

Para quem entende a autoridade como um poder absoluto e indiscutível, então o Governo perdeu autoridade; para quem entende que governar democraticamente não é impor a sua vontade, mas procurar consenso nas medidas para o bem comum, então o Governo procedeu bem em recuar. Recuar quando se erra não é fraqueza, mas é bom senso. E aqui o Governo errou e teve o bom senso de recuar. O seu erro foi propor medidas inaceitáveis sem ouvir quem devia ter ouvido, antes de decidir. Se, depois de errar, conseguiu emendar o erro, já é positivo.

2. A Suíça não é um país mal governado; pelo contrário, é o país mais democrático e mais rico do Ocidente. Ora, aí, o Governo, antes de tomar uma decisão importante, recorre ao referendo, para que o povo exprima a sua vontade. E, depois, executa a vontade do povo, em vez de impor sua vontade ao povo, se ela não está referendada.
A autoridade é a aceitação do poder como legítimo; neste caso, o povo entendeu que não havia legitimidade para impor essa medida. E protestou. Isto é, nem todo o poder estabilizado é autoridade, mas somente aquele em que a disposição de obedecer se baseia na crença da legitimidade do poder.

3. Mas, nesta semana, também houve aspetos negativos. A começar pela notícia dos cortes nas Fundações do Estado e nas que o Estado subsidia. Diz-se que há mais de 800 Fundações, mas só se falou de metade. E, aqui, o Governo mostrou, mais uma vez, uma atitude de insegurança e tibieza, para agradar a gregos e troianos e não perder votos. Não é compreensível, nesta situação em que a dívida do Estado já ronda os 120% em relação ao PIB, tomar uma decisão destas. Razão teve o PS ao dizer que, depois de tanta especulação, a montanha pariu um rato. A única atitude possível do Governo é cortar todos os subsídios às Fundações. As Fundações públicas não fazem sentido. Tal como as Empresas Públicas e municipais. São uma forma de fugir às regras do Estado. Um Estado dentro do Estado, para conseguir benesses ilegítimas.
Quanto às Fundações particulares, por muito úteis que algumas possam ser, devem deixar de receber subsídios, porque o país não tem possibilidades para isso. Quem tiver dinheiro para as sustentar que o faça, mas não à custa do erário público nem para fugir a impostos.
Foi assim que fez o novo Presidente da França: cortou todos os subsídios a Fundações ou outras entidades do género. Não se limitou a reduzir, cortou. E ponto final.

4. E fez mais: suprimiu 100% dos carros oficiais e mandou leiloá-los, para apoiar a Segurança Social. E por cá? Já cansa dizer isto, mas revolta continuar a ver os desfiles de Mercedes, de BMW, de Audi, todos de topo de gama, a título de qualquer evento.
E fez mais: acabou com todos os carros oficiais em empresas e serviços do Estado. Por cá, tudo quanto é serviço do Estado ou de autarquias tem Mercedes e motoristas ao dispor dos chefes. Não é possível continuar com isto… Os chefes são trabalhadores como os outros. Se os outros vêm nos seus carros ou de transportes públicos, eles que façam o mesmo. Temos de mudar de mentalidade.
E não ficou por aqui, dando o exemplo a partir de cima: reduziu, em 25%, o salário de todos os funcionários do Governo; reduziu em 32% o salário de todos os deputados; e em 40% o salário de altos funcionários públicos que ganhem mais de 800.000 € por ano. E vamos ver qual vai ser o Orçamento para 2013. E, por cá, os sacrifícios são só para o povo?




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