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Outro Ponto de Vista

“Se um país livre não for capaz de ajudar os muitos que são pobres, também não será capaz de salvar os poucos que são ricos.” (John F. Kennedy)
Nos anos 80, durante o 1.º governo da AD, entre 25 e 27 de julho, o mesmo deslocou-se à Madeira em trabalho, durante o qual foi anunciada a transferência de inúmeras competências para o governo da região autónoma!

Acácio de Brito
28 Set 2012

Numa visita a São Vicente, na parte norte da “pérola do atlântico”, o ministro da Finanças de então, Cavaco Silva, perguntou ao presidente da câmara qual era o orçamento da autarquia. A resposta deixou-o abismado:
– O senhor sabe que esse valor é equivalente ao do distrito inteiro de Vila Real, Trás-os-Montes?
– E eu que tenho a ver com o distrito de Vila Real, Trás-os-Montes?
– O senhor devia estar era preso!
Sá Carneiro, que assistia a tudo, teve de acalmar Cavaco Silva1.
Nos anos 90, já primeiro-ministro permitiu, que o seu ministro Ferreira do Amaral subscrevesse a primeira das consideradas parcerias público-privadas para a construção da Ponte Vasco da Gama. O relatório do Tribunal de Contas, dizem os mais entendidos, é demolidor. Os privados entram com 20% e ficam donos e senhores das receitas da outra ponte e, não pouco, com a exclusividade de todas as putativas travessias a criar no tempo de uma geração. O atual presidente da concessionária era o ministro de então!
Em 2010, presidente, assistiu à renegociação de algumas parcerias rodoviárias. O Estado fica com os prejuízos. Os lucros, rendas principescas em tranches de milhões por negócios inconcebíveis são direito inalienável dos privados.
BASTA!
Não é aceitável nem sequer admissível que um governo de um Estado dito democrático consagre e aceite a existência de cláusulas secretas em contratos públicos que a todos nos vinculam, pelo menos nos prejuízos pagos em forma de renda.
O que começa a preocupar é a falta de coragem que impede um corte sério e estrutural na despesa.
Paliativos como a retirada dos dois subsídios aos funcionários públicos é remendo. Resolve uma necessidade de conjuntura. Não adianta coisa nenhuma. É empobrecimento, lembrando-nos a história do burro que, com a contínua diminuição da ração, se torna mais económico, mas no entretanto, morre.
O momento asfixiante que vivemos agrava-se porque percebemos que, no fundo, ainda não nos libertámos, que ainda somos governados com uma cartilha muito socrática.
O momento tem de ser de viragem, de rutura paradigmática, de uma visão irresponsável proposta pelas esquerdas, para uma outra, de direita, com responsabilidade e coragem.
Só deste modo podemos cumprir um dos desideratos dos homens de bom governo, enunciado por Kennedy no dia da sua tomada de posse, “SE UM PAÍS LIVRE NÃO FOR CAPAZ DE AJUDAR OS MUITOS QUE SÃO POBRES, TAMBÉM NÃO SERÁ CAPAZ DE SALVAR OS POUCOS QUE SÃO RICOS”.
Temos de mudar, responsabilizando, separando o “trigo do joio”, passando de comportamentos táticos para um comportamento estratégico, estruturante nos princípios e estruturador nas consequências.




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