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Novas tecnologias e inquietações sobre o emprego

O mundo avança numa constante mutação que requer adaptabilidade, mas os nossos “papagaios” da política foram-se entretendo, e ao povo, com promessas de fazer deste país uma pátria de felizardos, com emprego para a vida. Desde José Sócrates, que prometeu milhares, a Passos Coelho que propagandeou atrair investimento para os criar, tudo não tem passado de uma miragem colossal.

Narciso Mendes
28 Set 2012

Obviamente, os nossos governantes não poderão arrancar a esperança aos desempregados portugueses, lançando contra a sua dignidade a verdade nua e crua desse desemprego, sob pena da condenação pública por quem lhes paga para cuidar do seu futuro e do país. Porém, gostaria de os ouvir explicar, desapaixonadamente, como têm compatibilizado a modernização tecnológica com a manutenção do emprego.
Como não dependo de votos, poderei, com à vontade e sem retórica, adiantar que encontro alguma dificuldade para obter um resultado plausível da conjugação desses dois factores, à medida e à velocidade que a ciência progride e o emprego declina. É esta inquietação que me faz crescer a preocupação em relação a quem poderá não ter, tão cedo, o seu ganha-pão, se equacionarmos o afastamento das pessoas pelas máquinas. Antes, entrávamos num banco povoado por dezenas de funcionários, mas, agora, deparamo–nos com um ou dois e um multibanco, que executa as suas tarefas. Fábricas há em que uma só máquina retirou do emprego cerca de 15 pessoas, libertando-se de intervenções sindicais, direitos sociais, greves, TSU, etc.. Os portageiros, há pouco criados, foram varridos das autoestradas pela cobrança electrónica. A robótica, a evoluir como está, prepara-se para, numa perspetiva mais radical, revolucionar o mundo empresarial, a par da futura tecnologia tridimensional que arrebatará os ofícios mais tradicionais, desenhando-se um quadro negro à volta do mundo laboral, se entretanto nada for feito.
Esta é uma realidade que não podemos ignorar e os nossos governos têm andado a escamoteá-la, com políticas de entretenimento, sem terem cuidado de a enfrentar, redescobrindo o humanismo e reinventando novas formas de sustentabilidade do nível de vida dos cidadão e das suas famílias, segundo a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Em vez de equilibrar as forças económicas do país, os nossos eleitos ignoraram a desumanização do consumo que tem estrangulado o comércio tradicional e com rosto, o qual perdeu milhares de postos de trabalho para as grandes catedrais do consumismo que os não absorveram. Mas, em breve, parte desses empregos passarão à história, com a chegada das já criadas caixas raio-x robotizadas. Entretanto, vamos assistindo ao encerramento de pequenas lojas nas cidades, onde há ruas quase sem elas, sempre com o slogan do apoio às micro e pequenas empresas, potencial motor da economia, segundo apregoam.
A invasão do mundo pela raça amarela – segundo Júlio Verne – com as “Casas da China”, que os nossos responsáveis não quiseram controlar, acabaram por abalar a nossa indústria que foi encerrando as portas, por falta de escoamento dos seus produtos, lançando irreversivelmente no desemprego milhares de trabalhadores, apesar do investimento em tecnologia.
Os governos alheios ao impacto da modernização tecnológica e sem uma visão estratégica de Estado, para regular a “bagunça” empresarial instalada, não atenderam às consequências que daí vão resultando, para quem pretende cumprir com os seus deveres fiscais e encargos laborais, afastando potenciais investidores.
Burocratas, insensíveis à paradigmática mudança no emprego, não inverteram o sentido a dar aos canudos sem préstimo que as Universidades vão vendendo. Não obstante o erro, foram inundando o setor público de gente que, a troco de salário certo, pouco fazer e em nome do Partido, debandou das linhas de produção para o “El Dorado” do Estado empregador, fazendo com que chegássemos até aqui.
Eis-nos, senhores governantes, na era da revolução tecnológica, endividados, atrasados, desorganizados, desorientados, desempregados e de mão estendida à espera do sustento, como verdadeiros mendigos desta Europa que se pretende dos cidadãos.




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