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Ler… nas entrelinhas

Desde a contestação, inicial do FCP e agora do SLB, às arbitragens, aos castigos cirúrgicos de JJ e Luisão, passando pelas conferências de imprensa do Sá Pinto, onde ele, qual Passos Coelho, vê o que mais ninguém consegue, este início de época teve, até agora, tudo o que é necessário para os jornais desportivos terem assunto diário, ou poderem inventá-lo, com verdades absolutas, a posteriori.

Carlos Mangas
28 Set 2012

Em Braga, e uma vez que já andamos nestas “guerras” pelos lugares cimeiros de há uns anos a esta parte, temos também de aprender a ler nas entrelinhas e não aceitar como verdadeiro tudo o que nos querem impingir, jornalistas e comentadores de programas ditos… de futebol.
Se a memória não me atraiçoa, no início da época desportiva o que mais nos preocupava era o apuramento para a fase de grupos da Champions e que a concretização desse objetivo não condicionasse um bom início de campeonato. Atendendo a que estamos na fase de grupos e em 3.º lugar no campeonato, com sete pontos, os objetivos iniciais estão, em meu entender, atingidos. Não escondo que esperávamos ganhar ao Cluj, mas a minha leitura simplista, assumindo que não estivemos bem na finalização e nas transições, é que, num jogo de sentido único, dois contra-ataques em sentido proibido, derrotaram-nos. No entanto, no final desse jogo, alguns cronistas e comentadores, disseram do SCB o que o filme não diz do Profeta. É nestas alturas que compreendo e dou razão ao José Mourinho quando este “se atira” aos jornalistas que elaboram as crónicas em função dos resultados e às vezes são obrigados a alterá-las, como aconteceu no recente Real-Manchester City.
A SAD do SCB tem tomado decisões de acordo com o que entende ser melhor para o futebol do clube, ponderando e conjugando sempre os aspetos desportivos e económicos. Por isso, a nossa equipa técnica tem um plantel com elevado potencial e tem sabido geri-lo sem olhar a nomes, pugnando sempre por colocar em campo, aqueles que em seu entender são necessários para resolver os problemas que os jogos colocam. Eu diria até, utilizando linguagem tauromáquica, que o nosso treinador tem-se saído muito bem em algumas “pegas de caras”. Pelo que, enquanto adeptos, cabe-nos avaliar a qualidade do nosso jogo, se as falhas, quando as há, são individuais ou coletivas, se as decisões da equipa técnica acontecem de acordo com o que o jogo pede e se há ou não, por parte dos jogadores que compõem o plantel, empenho coletivo. Depois, devemos ser “as ajudas” e os “rabejadores” na bancada, principalmente nos momentos menos bons da equipa.
Adeptos inteligentes e conhecedores do fenómeno futebolístico, não podemos aceitar que os “media” que elogiavam a administração, pela venda do Lima no último ano de contrato, a equipa por defender mais à frente e assumir as despesas do jogo e o treinador por em pouco meses ter alterado a mentalidade e forma de jogar da equipa, tenham recentemente, após dois maus resultados – Paços e Cluj – criticado a administração porque “desde que venderam o Lima, o Braga não tem ponta de lança de qualidade” e a equipa e o treinador por… quererem jogar de uma forma para a qual… não estão preparados. Este tipo de jornalistas e comentadores fazem sempre prognósticos certeiros… no final dos jogos. Assim, também eu. Não acreditam?
Pois bem, ninguém o disse até hoje, mas eu faço-o convictamente e sem medo de ser desmentido, que ACREDITO que o Éder vai chegar à 4.ª jornada com o dobro dos golos do Lima e que na presente edição da Champions temos muito mais hipóteses de ganhar ao Manchester United em Old Trafford, do que ao Cluj no AXA.




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