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Estará Deus atualizado?

Sei de antemão que, ao terminar este texto, não ficarei plenamente satisfeita, pois isso sempre me acontece. Nada de preocupante, pois é próprio das pessoas serem capazes de se superar e ir melhorando a qualidade das suas obras. O homem, por natureza, está sempre em busca da perfeição.

Isabel Vasco Costa
28 Set 2012

As pontes, as máquinas, as obras de arte, os meios de comunicação e de locomoção, as leis, etc., são portas que se abrem para não se fecharem. Uma vez alcançado um objetivo, logo o homem se lança em novo desafio. Já consegue mover-se sobre todo o mundo, por terra, mar e ar? Pois, vamos à lua. Já a alcançámos? Sonhamos com Marte. E sempre assim será enquanto houver humanidade. O homem viverá sempre com algum grau de desatualização.
E Deus? Estará Ele também desatualizado? A sua obra não precisará de umas reparações, de uns ajustes? Será atual viver a castidade, a fidelidade conjugal, a honestidade, aceitar os filhos concebidos, respeitar os enfermos e idosos, ajudar os indigentes…?
Para responder a estas questões devemos conhecer primeiro os objetivos de Deus ao criar o universo e, particularmente, os homens. Sabemos que devemos servir a Deus e amá-lo sobre todas as coisas, mas também sabemos que fomos criados livres, isto é, podemos não seguir o que Deus espera de nós. Isto é muito curioso porque sempre que alguém faz um trabalho, um frigorífico, por exemplo, não lhe permite que se torne numa televisão, ou num forno, ou num avião. A obra deverá ser rigorosamente o que o operário espera dela, ou ficará desapontado, como me sucede com os meus escritos. Por isso, o trabalho deve ser investigado, estudado, ponderado, avaliado e corrigido. E, mesmo assim, pode deixar de ser útil porque outro produto melhor surge no mercado para sanar as dificuldades ou necessidades da época.
Outra caraterística do homem consiste em ter dificuldade em cumprir com as suas promessas. Pode negar o que disse, dizendo que não foi ele; pode desculpar-se com as circunstâncias que mudaram. Vai dar ao mesmo. Embora livre, o homem e as suas obras são efémeras; envelhecem, morrem, passam, desatualizam-se. Isto não acontece com Deus porque a criação ficou perfeita e por isso as leis que a regem continuam atuais: as nuvens continuam a produzir chuva em determinadas condições, os peixes continuam a ter guelras e os cavalos pulmões e morrem afogados se saírem dos seus respetivos habitats, o homem continua a sentir dor sempre que se fere e é essa lei que o alerta para se tratar, etc.. Chegamos, assim à conclusão de que Deus não está desatualizado.
Que pensar então do divórcio, do aborto, da eutanásia, da fecundação in vitro, do uso de embriões vivos na investigação científica e ainda um rol de ações em que o homem se embrenhou e legisla a seu belo prazer porque “a Igreja está antiquada”? Meditando com profundidade nestes temas, temos de reconhecer que estas formas de agir geram sofrimento ontem, hoje e amanhã e é isso que Deus nos quer evitar. A lei natural, aquela que está patente na natureza do homem, dos animais, das plantas e dos minerais continua vigente, atual, mesmo quando nós os homens a não queremos seguir.
Não estaremos nós, homens livres e racionais, necessitados de nos reatualizar? De estudar, conhecer e obedecer, com toda a força da nossa vontade livre, às leis divinas? Não sentimos como é urgente e atual o “Ano da Fé” que agora se inicia, a 11 de outubro?




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