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Ainda longe do Alto Rendimento

No historial de presenças nos Jogos Olímpicos em mais de um século, Portugal conquistou apenas 23 medalhas, das quais, 4 de ouro, 8 de prata e 11 de bronze. Refiro “apenas” porque na realidade quando nos comparamos com países de dimensão, cultura e desenvolvimento semelhantes, verificamos que a distância para com estes a nível de resultados é abismal. Muitas serão as razões apontadas por quem se movimenta no espectro do desporto ou por especialistas que avaliam estas questões. Entretanto eu avanço já uma das causas, o facto de não existir uma “política desportiva de alto rendimento”.

28 Set 2012

Os países que alcançam elevados desempenhos e cujo nível de desenvolvimento social e cultural é semelhante ao nosso, criaram não há muito tempo, cerca de 20 ou 30 anos, programas estratégicos e de desenvolvimento nesta área, para além da aposta a sério no desporto de base. Um dos aspetos mais comuns observados nestes países é o facto da gestão e coordenação dos projetos de alta competição estarem bastante centralizados, geridos por uma só entidade (governamental, não governamental ou mista) com objetivos e funcionamento a médio (ciclos olímpicos) e longo prazo. Esta atividade é desenvolvida normalmente a partir de um ou mais locais físicos conhecidos como os Centros de Alto Rendimento (CARs).
Uma questão básica que é realizada tem a ver com a divisão dos atletas de alta competição por níveis/seleções. Existe mesmo em alguns países a designação de “equipa olímpica”, sendo os restantes níveis considerados em percurso para a alta competição. Existem também apostas prioritárias em alguns desportos, pois a maior parte dos países sabe que é impossível obter resultados internacionais em todos os desportos. Criaram-se “escolas de elite”, formadas por equipas de jovens em percurso para a alta competição, com integração destes jovens em percurso para a alta competição em estabelecimentos de ensino e com acompanhamento escolar especial, quer seja no ensino secundário ou universitário. Sabe-se hoje que a exigência do treino e competição tem que ser acompanhado por uma sólida base escolar onde só a carreira dupla Estudos/Desporto pode criar uma perfeita integração social no futuro.
Para além destas questões, os projetos mais relevantes desenvolvidos através dos CARs, compreendem as seguintes áreas: Seleções Regionais (equipas competitivas jovens, normalmente do escalão anterior ao sénior com atividade competitiva em quadros nacionais secundários); Projetos de Desenvolvimento Regional (aproveitamento de potencialidades regionais em determinadas modalidades – condições geográficas, desenvolvimento e cultura desportiva local, apoios do setor privado local); Atividade de Formação e Informação Desportiva destinada ao Alto Rendimento (planos de formação para técnicos e agentes desportivos, publicações); Serviços de Assistência Médica Fundamental e Especializada bastante alargada às modalidades do programa olímpico (médicos e técnicos especialistas); Estudos sobre planeamento desportivo ao nível de programas de “Seleção de Talentos”, necessidade de instalações desportivas e de apoio a médio e longo prazo, etc.; e finalmente, a existência de Recursos Humanos especializados no âmbito do treino e análise do rendimento desportivo, dedicados em exclusividade em permanência nos Centros de Alto Rendimento, um programa desenvolvido pelos “melhores” para os que serão “os melhores”.
Sabemos que o tempo não é favorável a grandes investimentos, no entanto, poderíamos começar por avaliar o que temos disponível e como nos poderemos organizar da melhor forma seguindo os melhores exemplos, para que daqui a 4 anos, não estejamos assim tão longe do Alto Rendimento.




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