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Regresso às aulas

É o slogan mais repetido anualmente, no fim do verão, mas acaba por se reduzir, tão só, a um apelo à compra de material escolar, muito dele desnecessário para uma normal concentração dos alunos nas matérias a aprenderem. Não são as marcas, nem as cores, nem o preço do material que vão facilitar todo o processo do ensino/aprendizagem com qualidade, mas sim o trabalho, o esforço, a honestidade e o brio.

Maria Susana Mexia
27 Set 2012

O que verdadeiramente conta é a atitude dos alunos e dos encarregados de educação face ao “saber estar na sala de aula”, no recreio, na biblioteca, no caminho, enfim, em todos os lugares da vida.
A base para o sucesso é também “saber ouvir”, querer colaborar na sua própria formação, ter objetivos bem definidos para o seu futuro e, naturalmente, levar de casa uma educação e formação que lhe permitam reconhecer que a escola é uma aliada no seu futuro e não uma inimiga a abater.
Escola não é telenovela, futebol nem sequer a nossa casa. Escola é um lugar de trabalho, de crescimento no saber e no querer saber, sempre mais e melhor. É ainda o local, onde muitos adultos de boa vontade exercem a sua profissão em estado de missão, sempre dando um pouco mais de si, para beneficiar os alunos que, muitas vezes, são os menos interessados nessa realidade.
A função da escola é ministrar instrução, transmitir conhecimentos e formação científica. Para bem exercer tal tarefa, os professores fizeram uma licenciatura especializada à qual não faltaram os respetivos estágios pedagógicos.
Estas “sementes de saber” que se lançam na sala de aula, dia após dia, com uma sequência, uma ordem, um método e uma planificação, só vai dar bons frutos se caírem num terreno bem preparado para a sementeira. Caso contrário, não vai haver colheita.
Este TPC (trabalho para casa) é para os pais, os avós, a família e, se não for feito atempadamente, como na agricultura, não produz nada que valha a pena.
É uma tecla batida e rebatida no final das férias grandes. O regresso às aulas pode ser o início de mais um sucesso ou o repetir de mais um fracasso. Depende da forma como o trabalho escolar for levado: com seriedade ou em jeito de passatempo e brincadeira.
Abstenho-me de mais conselhos, pois como sabemos, os que mais necessitam não os querem ouvir e ainda se revoltam com quem os dá ou sugere. Deixo simplesmente para reflexão uma frase de Albert Einstein, na esperança de que ajude alguns professores a adiar a chegada do inevitável “à beira dum ataque de nervos”:
“É fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma perceção nítida dos valores.
Tem de aprender a ter um sentido bem definido do belo e do moralmente bom. De outro modo, com o seu conhecimento especializado parece-se mais um cão bem treinado do que com uma pessoa harmoniosamente formada”.
Desrespeitadas que foram todas as hierarquias, tenho esperança que este Mestre ainda surta algum respeito nas mentes de muitos progenitores, já que Einstein não é professor, também não foi juiz, nem médico, nem sacerdote, nem político mas, simplesmente, um homem da ciência.




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