Fotografia:
Cortar nas despesas

1 A atual crise em que se vive impõe um criterioso corte nas despesas, sobretudo por dois motivos. Primeiro: se não há o tal corte nas despesas – há casos em que até têm aumentado – não há receita que aguente. Segundo: há pessoas que, pelo facto de passarem a receber menos no fim do mês, têm, forçosamente, de restringir os gastos. 

Silva Araújo
27 Set 2012

2. O corte nas despesas deverá ser uma preocupação de todos e não apenas uma necessidade de alguns.
Porque, oficialmente, nela se não tem falado, permito-me lembrar aos senhores Ministros das Finanças e da Saúde uma rubrica em que, na minha opinião, é mais que legítimo cortar nas despesas. Refiro-me, muito concretamente, ao aborto provocado.
 
Quanto gasta o Estado com a prática dos abortos?
Em artigo publicado no «Diário do Minho» de 26 de maio, citando o jornal «I», dizia-se que, desde que a legislação atual entrou em vigor, em 2007, até 2011, o Estado gastou 45 milhões de euros em abortos. Que cada aborto realizado, em média, custou 700 euros. Que a tendência aponta para uma despesa anual da ordem dos 12 milhões de euros. Isto, não contando a despesa que, por causa do aborto provocado, tem o Ministério da Segurança Social, uma vez que qualquer mulher que o pratique tem direito a um subsídio de maternidade nas mesmas condições de uma mãe que decide ter o filho.
 
3. Esta despesa, em minha opinião, de forma alguma se justifica. Por dois motivos. Primeiro, porque se está a recorrer ao aborto como a uma forma de controlo da natalidade, o que não está certo. Segundo, porque o aborto provocado é um crime e considero imoral que o dinheiro dos nossos impostos seja utilizado para subsidiar o crime.
 
4. Note-se que, ao falar de crime, estou a classificar o ato e não a pessoa. A pessoa que recorre ao aborto é merecedora de toda a compreensão. Deve ser ajudada a tomar consciência da gravidade da decisão que toma. Deve ser estimulada e apoiada no sentido de aceitar as consequências da gravidez. Deve saber que se, em vez de abortar, preferir ser mãe solteira, tem o apoio da comunidade.
Mais do que subsidiar a prática do aborto, é preciso identificar e eliminar as causas que levam a mulher à tentação de abortar. É necessário pôr em prática uma verdadeira, séria e responsável educação sexual, que deve ter nos pais os primeiros e principais protagonistas.
 
5. Sei ter sido aprovada no Parlamento a lei do aborto, a que, para evitar a fealdade do nome, decidiram chamar interrução voluntária da gravidez. Infelizmente. E digo assim, porque, em minha opinião, não o devia ter sido.
Já agora, lembro haver comportamentos que, tendo a cobertura da lei, nem por isso deixam de ser imorais. E o aborto provocado é um deles. O número de votos, por muito volumoso que seja, nunca consegue tornar moral o que o não é. O número de votos não altera a natureza das coisas.
 
6. Relacionado com este tema, está o do baixo índice de natalidade. Trata-se de um problema sério que não deve deixar de merecer a atenção dos responsáveis. Somos uma sociedade que envelhece, e isso tem consequências muito graves.
Neste começo de ano escolar, vem mais uma vez ao de cima um outro problema, igualmente grave, que é o desemprego dos professores. Que trabalho vão fazer os professores se não houver meninos para ensinar? Porque se não tomam medidas de estímulo ao incremento da natalidade?
 
7. A busca de soluções para a grave crise em que nos meteram exige que os sacrifícios sejam equitativamente repartidos por todos. Exige que quem mais possibilidades tem mais contribua. Exige que se responsabilizem os culpados pela situação. Exige que os sacrifícios comecem pelos de cima. Exige que se corte nas mordomias e nos privilégios. Exige a coragem necessária para resistir à pressão dos lóbis. Exige firmeza para cortar despesas que não têm justificação. Lembrei a do aborto provocado, mas estou persuadido da existência de muitas mais.
Quando se procede a uma bem pensada, profunda e séria reforma administrativa e se reduz o número de deputados e de assessores, por exemplo?




Notícias relacionadas


Scroll Up