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As massas e o terror

Todo o mundo sabe e concorda que, quando o dinheiro falta nas algibeiras do homem, tudo pode acontecer de mau, de violento ou de qualquer outra desgraça. E para que não falte o mínimo e as desgraças não tenham de existir, os governantes, porque eleitos, têm absoluta obrigação de servir bem o povo, de o respeitar e de o promover onde seja necessário, para bem dele e do país.

Artur Soares
27 Set 2012

Não tem acontecido assim em Portugal. Têm sido mais os anos de descontentamento nacional, que os que têm tranquilizado o povo.
Perguntaram há pouco tempo a Fidel Castro se Cuba tinha melhorado com a revolução. Disse que sim, afirmando que, antes da revolução, Cuba pertencia a meia dúzia de indivíduos e que atualmente eram cerca de mil os donos de Cuba. Parece que, no caso português, ainda não foram atingidos os números de Cuba, após o 25 de Abril de 1974.
Parece viver-se hoje aquele famoso e negro período do rescaldo da 2.ª guerra até ao ano de 1960, em que a fome era norma, os empregos eram milagres que iam acontecendo e, o lanche – para os que o tinham – era cebola ou azeitonas com uma fatia de pão de milho.
É necessário e urgente fazerem-se mudanças para que haja justiça social e económica junto de todos os que produzem riqueza! Por cada trabalhador não precisa existir um fiscal, um motorista, um administrador, um armazenista, um assessor doutro assessor, um vigilante, um político, um vendedor, um conselheiro ou outro tipo qualquer de colaboração. Em Portugal, há demasiada gente a usufruir, sem nada fazer, do produto de cada homem ativo. E os piores inimigos ainda são aqueles de camisa, gravata e bons ternos que passam o tempo, na sua jactância, a mostrarem os punhos da camisa e a arrotar da lagosta ingerida.
O país aceita as mudanças e as reformas, desde que não prejudiquem ninguém. Todavia, o povo teme a pobreza, as revoltas ou a agitação, por sermos disciplinados, tolerantes e gostarmos de ser conduzidos. Mas é aqui que tem sido o grande mal, o grande defeito de Portugal.
Tivemos estes dias mais de um milhão de portugueses a manifestarem-se nas ruas contra este Governo de Passos Coelho, devido à injustiça económica que pretende dar seguimento, contra quem trabalha e contra quem trabalhou 30, 40 ou mais anos, negando-lhes o que têm direito por razão, por lei e por força da dignidade humana.
Este Governo e todos os que possam governar têm de ser justos, sérios e empenhados na missão de servir o país. Não é necessário roubar nada a ninguém ou perseguir seja quem for. É necessário, sim, que todos usufruam e possuam o que é justo e que se premeiem os mais capazes.
Políticos que governam com leis, procurando benefícios para o grupo ou para si mesmos, são ladrões e violadores da paz social. E violar as leis que ensinam e fomentam a paz entre uma nação ou comunidade é devassidão.
François Hollande, em menos de dois meses, e apercebendo-se de situações inconcebíveis na máquina francesa, suprimiu cem carros oficiais, leiloando-os e dando o dinheiro para o Fundo de Previdência; aboliu os chamados “carros da empresa”, por ser norma “provocativa e desafiadora” para quem ganha mais de 500.000 euros/ano, dando o dinheiro para “pesquisa científica avançada”; para quem ganha mais de cinco milhões de euros/ano, fez uma lei em que terão de descontar 75%, reduziu 32% ao vencimento dos deputados e 40% a altos funcionários públicos que ganhavam 600.000 euros/ano, aplicando essas verbas a educação infantil específica até aos oito anos de idade. Estes e outros acertos de verdadeira realidade anunciados por um jornal diário francês, veio, com certeza, corrigir normas e rapacidades nacionais. Qualquer cidadão gosta e fica animado.
Portugal, os governantes e os nomea-
dos dos governantes, não podem viver do armazenamento que todas as formiguinhas acarretam para o orifício formigueiro, sem o justificarem com seriedade e competência. Caso contrário, serão “insetos” estranhos ao formigueiro, agitarão as massas e criarão o terror.




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