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O Conselho de Estado, as manif e o rock and roll

O Conselho de Estado realizado no passado fim de semana mais não foi do que um circo. Comecemos pelo princípio. Cavaco Silva, no seu tom habitual de quem fala e não quer dizer nada, andou semanas e semanas a assistir de bancada ao tumultuo e à agitação social, refugiando as suas parcas intervenções em lugares comuns. Típico! Nada que não pudéssemos esperar.

Ramiro Brito
26 Set 2012

Perante o impacto que teve o anúncio relacionado com a TSU, o Presidente entendeu convocar o Conselho de Estado, tentando dar ao país um sinal de que, afinal, não está morto. Ora, o anúncio da realização do Conselho de Estado e o frenesim que criaram à volta do mesmo, como se dali fosse sair algo de verdadeiramente importante ou estrutural para o paísm pareceu-me, sinceramente, exagerado.
O Conselho de Estado é um órgão consultivo e não deliberativo. Portanto, espera-se dele sempre pouca ação e mais opinião. Acresce que as pessoas que o compõem apressaram-se a emitir opiniões na imprensa, tornando-as públicas, pelo que nada se acrescentou de novo, nessa tal reunião magna. O motivo de grande interesse e a novidade que parecia ser notícia importantíssima foi o facto de o Presidente da República ter convocado o Sr. Ministro das Finanças para que prestasse os esclarecimentos necessários aos Srs. Conselheiros de Estado sobre a matéria em causa, visto ser a pessoa mais entendida para o fazer. Pelas conclusões lidas pelo porta voz da Presidência da República, no final da reunião, ficámos a saber que nada de novo havia a acrescentar com exceção da notícia, que já havia sido avançada antes, de que o Governo iria arranjar um alternativa à TSU. Nada de novo. Um circo.
Ora, essencialmente, aquilo que de relevante aconteceu nesse dia, na zona de Belém, foi mais uma manifestação, com direito a atos delinquentes e tudo, para que, mais uma vez, uma série de inconsequentes viesse pedir a demissão do Governo como se isso resolvesse o problema que este Governo não criou e que está a tentar resolver, guiado apenas pelo acordo que o outro governo socialista, sim da cor da maior parte das pessoas que nessa manifestação se encontrava, assinou perante a sua incapacidade de resolver os problemas que eles próprios criaram. Eu sei que é mais fácil gritar palavras de ordem, eu sei que os sindicatos têm de justificar a sua existência e também sei que alguns sindicalistas têm de justificar o facto de nunca terem trabalhado, apesar de receberem sempre o seu ordenado. Mas haja paciência, a sério. Sejamos sérios uma vez que seja e admitamos que não estivemos à altura das responsabilidades, que não soubemos gerir de forma eficaz e inteligente os recursos financeiros e que não soubemos eleger as pessoas certas. E, não, a culpa não é só dos governantes. Também é nossa, dos governados, porque não vi manifestações contra a ponte Vasco da Gama, vi antes milhares a comerem feijoada na inauguração, não vi manifestações contra os milhões queimados no Euro 2004, não vi manifestações contra o exagero de autoestradas construídas. Vi, sim, depois, manifestações contra o pagamento das mesmas. Vi candidatos claramente mentirosos a tornarem-se Primeiros-Ministros e candidatos verdadeiros a serem derrotados por assumirem que a situação não era fácil e seria necessário existir uma retração e um aumento de impostos para reequilibrar a situação económica do país. É! Também temos culpa.
De uma vez por todas, admitamos que errámos. Vivemos acima do que podemos durante três décadas e agora temos de pagar a fatura. E, não, não podemos ser a Grécia da irresponsabilidade nem podemos deixar de cumprir as nossas obrigações porque alguma dignidade nos há-de sobrar.
Usando a letra dessa banda rock incontornável do panorama musical português apetece-me dizer “a vida vai torta, jamais se endireita (…) nunca dei um passo que fosse o correto, eu nunca fiz nada que batesse certo”. Parece que continuamos a não querer fazer.




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